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"Quando Deus redimiu da tirania Da mão do Faraó endurecido O Povo Hebreu amado, e esclarecido, Páscoa ficou da redenção o dia. Páscoa de flores, dia de alegria Àquele Povo foi tão afligido O dia, em que por Deus foi redimido; Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia. Pois mandado pela alta Majestade Nos remiu de tão triste cativeiro, Nos livrou de tão vil calamidade. Quem pode ser senão um verdadeiro Deus, que veio extirpar desta cidade O Faraó do povo brasileiro." Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo que apresentam princípios barrocos, o soneto de Gregório de Matos apresenta temática expressa por:
"preocupação com a identidade brasileira."
"visão cética sobre as relações sociais."
"questionamento das práticas pagãs na Bahia."
"reflexão sobre os dogmas do cristianismo."
"crítica velada à forma de governo vigente."
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"A certa personagem desvanecida Um soneto começo em vosso gabo*: Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo; A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã** canseira, E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Gabando‐vos a vós, e eu fico um rei. Nesta vida um soneto já ditei; Se desta agora escapo, nunca mais: Louvado seja Deus, que o acabei. Gregório de Matos. * louvor. ** grande. Tipo zero Você é um tipo que não tem tipo Com todo tipo você se parece E sendo um tipo que assimila tanto tipo Passou a ser um tipo que ninguém esquece Quando você penetra num salão E se mistura com a multidão Você se torna um tipo destacado Desconfiado todo mundo fica Que o seu tipo não se classifica Você passa a ser um tipo desclassificado Eu até hoje nunca vi nenhum Tipo vulgar tão fora do comum Que fosse um tipo tão observado Você ficou agora convencido Que o seu tipo já está batido Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado" O soneto de Gregório de Matos e o samba de Noel Rosa, embora distantes na forma e no tempo, aproximam‐se por ironizarem:
" a própria inferioridade ante o retratado."
"o processo de composição do texto."
"a intolerância para com os gênios."
"o sublime que se oculta na vulgaridade."
"a singularidade de um caráter nulo."
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"Um dos recursos utilizados pelo padre Antônio Vieira em seus sermões consiste na “agudeza” — maneira de conduzir o pensamento que aproxima objetos e/ ou ideias distantes, diferentes, por meio de um discurso artificioso, que se costuma chamar de “discurso engenhoso”. Assinale a alternativa em que, no trecho transcrito do “Sermão da Sexagésima”, o autor utiliza esse recurso."
"Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. [...] Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro de si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento."
"Quando Davi saiu a campo com o gigante, ofereceu-lhe Saul as suas armas, mas ele não as quis aceitar. Com as armas alheias ninguém pode vencer, ainda que seja Davi. As armas de Saul só servem a Saul, e as de Davi a Davi, e mais aproveita um cajado e uma funda própria, que a espada e a lança alheia."
"Lede as histórias eclesiásticas, e achá-las-eis todas cheias de admiráveis efeitos da pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança de vida, tanta reformação de costumes; os grandes desprezando as riquezas e vaidades do Mundo; os reis renunciando os cetros e as coroas; as mocidades e as gentilezas metendo-se pelos desertos e pelas covas [...]."
"Miseráveis de nós, e miseráveis de nossos tempos, pois neles se veio a cumprir a profecia de S. Paulo: [...] “Virá tempo, diz S. Paulo, em que os homens não sofrerão a doutrina sã.” [...] “Mas para seu apetite terão grande número de pregadores feitos a montão e sem escolha, os quais não façam mais que adular-lhes as orelhas.”
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Qual a verdadeira explicação para a resposta da pergunta 1?
"No trecho, Vieira aproxima “olhos”, “espelho” e “luz”, e constrói uma relação entre esses elementos, pois eles são necessários para que o ser humano possa ver a si mesmo, ver a própria alma. O espelho é a doutrina; a luz, a graça; e os olhos, o conhecimento."
"No soneto, o eu lírico, no início, fala de quando Deus livrou o povo hebreu da tirania dos faraós, para, no final, fazer a relação dos tiranos faraós com o “Faraó do povo brasileiro”, ou seja, o governo tirano da cidade da Bahia (Salvador), que era a sede do governo português na época. Assim, o eu lírico faz uma crítica velada a esse governo."
"Gregório de Matos dedica o seu soneto a “certa personagem desvanecida”, ou seja, apagada, sem vida. Por isso, acaba recorrendo à metalinguagem, fala da construção do próprio poema, já que não tem nada para falar sobre essa personagem. Já a letra de Noel Rosa fala de um “tipo zero”, ou seja, uma pessoa sem importância, um tipo qualquer, um tipo vulgar. Portanto, em ambos os textos, é possível perceber a “singularidade de um caráter nulo”.
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Qual a verdadeira explicação para a resposta da pergunta 2?
"No soneto, o eu lírico, no início, fala de quando Deus livrou o povo hebreu da tirania dos faraós, para, no final, fazer a relação dos tiranos faraós com o “Faraó do povo brasileiro”, ou seja, o governo tirano da cidade da Bahia (Salvador), que era a sede do governo português na época. Assim, o eu lírico faz uma crítica velada a esse governo."
"No trecho, Vieira aproxima “olhos”, “espelho” e “luz”, e constrói uma relação entre esses elementos, pois eles são necessários para que o ser humano possa ver a si mesmo, ver a própria alma. O espelho é a doutrina; a luz, a graça; e os olhos, o conhecimento."
"Gregório de Matos dedica o seu soneto a “certa personagem desvanecida”, ou seja, apagada, sem vida. Por isso, acaba recorrendo à metalinguagem, fala da construção do próprio poema, já que não tem nada para falar sobre essa personagem. Já a letra de Noel Rosa fala de um “tipo zero”, ou seja, uma pessoa sem importância, um tipo qualquer, um tipo vulgar. Portanto, em ambos os textos, é possível perceber a “singularidade de um caráter nulo”.
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Qual a verdadeira explicação para a resposta da pergunta 3?
"No soneto, o eu lírico, no início, fala de quando Deus livrou o povo hebreu da tirania dos faraós, para, no final, fazer a relação dos tiranos faraós com o “Faraó do povo brasileiro”, ou seja, o governo tirano da cidade da Bahia (Salvador), que era a sede do governo português na época. Assim, o eu lírico faz uma crítica velada a esse governo."
"No trecho, Vieira aproxima “olhos”, “espelho” e “luz”, e constrói uma relação entre esses elementos, pois eles são necessários para que o ser humano possa ver a si mesmo, ver a própria alma. O espelho é a doutrina; a luz, a graça; e os olhos, o conhecimento."
"Gregório de Matos dedica o seu soneto a “certa personagem desvanecida”, ou seja, apagada, sem vida. Por isso, acaba recorrendo à metalinguagem, fala da construção do próprio poema, já que não tem nada para falar sobre essa personagem. Já a letra de Noel Rosa fala de um “tipo zero”, ou seja, uma pessoa sem importância, um tipo qualquer, um tipo vulgar. Portanto, em ambos os textos, é possível perceber a “singularidade de um caráter nulo”.