
Anúncios
1
Capítulo 6 – Silêncios, Notas e Um Beijo Esperado As coisas ficaram estranhas depois do festival. Jisung parecia mais distante. Você mandava mensagem, ele demorava. Nos intervalos, passava mais tempo com os amigos da banda. E nas aulas de escrita criativa… sentava duas fileiras atrás. No começo, você achou que era só cansaço. Mas depois de dois dias inteiros sem nem um bilhete bobo, você decidiu ir atrás. Encontrou Jisung sozinho na sala de música, dedilhando o violão como se brigasse com ele. — A gente brigou e eu não percebi? — você perguntou, parando na porta. Ele olhou pra você rápido, surpreso. Depois desviou o olhar. — Não brigamos. Eu só… precisava de espaço. — Espaço de mim? Ele respirou fundo, largou o violão no colo e ficou mexendo nas cordas sem tocar de verdade. — Eu vi você com o Jinu. Rindo. Lendo as cartas que ele escreveu pra você no mural novo. Você ficou sem palavras por um segundo. — Não eram cartas românticas. Era só sobre poesia. — E eu sou só barulho, né? — Jisung... — É sério. Você é calma, inteligente, poética. E eu sou o cara que faz piada e toca violão. Às vezes eu penso que você vai cansar de mim. Que vai preferir alguém que combina mais com você. Você se aproximou, devagar. Se sentou ao lado dele no banco, pegou a mão dele e entrelaçou na sua. — Jisung… você acha que não combina comigo? Você foi o primeiro a me notar quando ninguém mais me via nos corredores. Você foi meu mapa quando eu tava perdida. E, mesmo quando me irrita, você é o único que me faz rir de verdade. Ele levantou o olhar, os olhos um pouco marejados. — Eu sou bom em escrever músicas. Mas nunca sei como dizer o que eu sinto. Você sorriu. — Então não diz. E, no silêncio que ficou entre vocês, você encostou os lábios nos dele. Foi um beijo tímido, no começo. Mas cheio de tudo o que eles vinham guardando — medo, carinho, ciúmes, vontade. Quando se afastaram, ele sorriu do jeito mais Han Jisung possível: — Ok… talvez eu escreva uma música sobre isso. Mas só se você prometer me deixar colocar sua risada no refrão. — Prometo. Mas só se tiver pirulito no clipe. Ele gargalhou. E pela primeira vez, desde aquele dia no corredor da sala 2B, vocês se sentiram exatamente onde deveriam estar.
.........
........
2
Capítulo 7 – Festival das Luzes e Mãos Entrelaçadas O Colégio Cheongdam fazia um festival noturno todo ano — com barracas de comida, apresentações dos clubes e uma chuva de lanternas no final. Para muitos, era só um evento escolar. Mas para você… seria o primeiro encontro oficial com Han Jisung. Você passou o dia todo nervosa. Trocou de roupa três vezes. Ensaiou o que ia falar. Pensou até em escrever uma carta (mas não queria parecer tão previsível). E quando chegou ao festival, com as luzes coloridas penduradas entre as árvores, ele já estava lá. Camisa xadrez aberta, camiseta branca, pirulito no canto da boca e um sorriso mais tímido do que o normal. — Você veio — ele disse, como se ainda tivesse dúvidas. — Eu disse que viria. E disse que era nosso encontro, lembra? — Lembro. Tô tentando não surtar desde ontem. Ele te ofereceu a mão. Você segurou. Foi a primeira vez que andaram de mãos dadas em público. E mesmo que várias pessoas olhassem, comentassem ou cochichassem, nada disso importava. Jisung te levou numa barraca de algodão-doce, ganhou um bichinho de pelúcia ridículo (e fofo) na pescaria e quase derrubou uma torre de yakisoba tentando se mostrar útil. Tudo nele era caótico e doce ao mesmo tempo. — Você tá nervoso? — você perguntou. — Eu? Tô parecendo nervoso? — Você colocou molho picante no sorvete. Ele olhou pro copinho na mão, assustado. — ...Ah. Tá explicado. Você riu alto. Ele também. A noite estava perfeita. E então começou o encerramento. Os alunos começaram a soltar as lanternas flutuantes. Uma a uma, elas subiam no céu escuro, iluminando tudo com um tom dourado suave. Jisung tirou uma do bolso e te entregou. — A nossa. Pode escrever um desejo. Você pegou a caneta e escreveu: > “Que a gente não perca isso. Mesmo com provas, com ciúmes, com a vida.” Ele leu e sorriu. Depois pegou a caneta e escreveu abaixo: > “E que você continue me inspirando a escrever músicas… mesmo quando eu estiver com 80 anos.” Vocês soltaram a lanterna juntos. Ela subiu devagar, dançando no vento. E então, ele te puxou de leve pela mão, te virou de frente e disse: — Posso te beijar de novo? — Só se prometer não parar de me dar motivo pra escrever também. — Então eu vou ter que ser bem irritante. E foi ali, sob as lanternas douradas, entre risadas e mãos trêmulas, que vocês se beijaram de novo. Mais calmos. Mais certos. Era o começo. Mas parecia já ser o meio de algo muito bonito.
........
.......
3
Capítulo 8 – Notas de Um Mal-entendido O dia seguinte ao Festival das Luzes parecia comum, mas não pra você. A lembrança do beijo, das lanternas, do jeito que ele segurou sua mão… tudo ainda dançava na sua cabeça como uma música que não parava de tocar. Mas aí, veio o susto. Na aula de Literatura, enquanto folheava o caderno do Jisung pra copiar umas anotações, uma folha solta caiu no seu colo. Era uma letra de música. Com um nome: “Soojin”. Você congelou. Era uma música nova. Com palavras bonitas. E nenhuma delas era seu nome. — É só uma música antiga, que eu nunca terminei — ele disse, assim que viu seu rosto. — Mas... você ainda guarda? — É uma letra, só isso! Juro! Nem tem mais sentido. Você não respondeu. Só devolveu o caderno e olhou pra frente, tentando focar na aula. Mas o nó no peito apertava. Naquele dia, vocês mal conversaram. Jisung tentou te chamar no intervalo, mas você escapou. Nem você sabia explicar por que estava tão chateada — talvez porque era a primeira vez que sentia ciúmes. Ou medo. Ou os dois. No fim da aula, ele apareceu do nada, ofegante, com a guitarra nas costas. — Me encontra no terraço. Agora. É sério. Mesmo sem entender, você foi. E quando abriu a porta, ele já estava ali, com a guitarra no colo e o olhar meio nervoso. — Eu não sei fazer discursos bonitos. E também não sou bom com brigas. Mas sei escrever. E cantar. Então... Ele respirou fundo e começou. A música falava de você. Literalmente. Do seu jeito de enrolar o cabelo quando está distraída. Do seu sorriso quando tenta esconder que está nervosa. Da sua mania de escrever tudo nos cantos das folhas. E do quanto ele estava com medo de te perder por uma coisa tão boba. No fim, ele olhou pra você. — Eu não vou escrever músicas sobre outras pessoas. Não mais. Porque agora só tem uma pessoa que ocupa meu coração — e o meu caderno também. Você não sabia se ria, chorava ou beijava ele de novo ali mesmo. — Você é bobo. — E você é minha. E antes que a vergonha vencesse, você puxou ele pela gola da camisa e encostou a testa na dele. — Eu odeio quando gosto tanto de alguém assim. — Então odeia bastante. Porque eu tô ferrado por você. Dessa vez, o beijo veio sem dúvida, sem pedido, sem nervosismo. Foi só sincero. Do tipo que cura qualquer mal-entendido. E ali, no terraço do colégio, com o céu cor de pôr do sol atrás de vocês, começou a versão 2.0 do primeiro amor: mais forte, mais doce, mais real.
........
.......
4
Capítulo 9 – Presentes do Coração O dia do seu aniversário chegou, mas diferente do que você esperava, não tinha nada de grandioso na escola — nada de balões, parabéns cantado em coro, ou até mesmo um simples “feliz aniversário” passando despercebido. Você achava que ia passar o dia quase invisível, até que, no fim da aula, Jisung apareceu com aquele sorriso meio tímido, segurando um envelope. — Espera aí — ele disse, puxando você pela mão para o terraço. Lá em cima, já tinha um grupo pequeno de amigos, e uma mesa com um bolo simples, mas decorado com um toque que só ele saberia fazer: minúsculas estrelas prateadas, igual às lanternas do festival. — Surpresa — disseram todos, enquanto você ficava sem reação. Mas o que mais te pegou foi o que Jisung tinha na mão depois. Ele te entregou um caderno, simples, de capa cinza, com seu nome gravado na frente. — Abre — ele pediu. Ao folhear, você viu que cada página tinha uma letra, um desenho ou uma pequena música que ele escreveu pensando em você desde o festival. Era uma coleção de pequenos momentos, sentimentos, frases que ele não tinha coragem de dizer em voz alta. — Eu queria te dar algo que durasse, que você pudesse guardar sempre — ele falou, baixinho. Você sentiu o coração bater mais rápido e a vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. — Você é muito bobo — disse, abraçando ele forte. E ali, entre risos, palavras sussurradas e olhares que diziam mais que mil coisas, você percebeu que, às vezes, o melhor presente não é o que se compra — mas o que vem do coração.
.......
......
5
Capítulo 10 – Viagem, Confissões e Corações Acelerados A tão esperada viagem escolar finalmente chegou, e o clima no ônibus estava animado — risadas, brincadeiras, planos para os dias longe da rotina da escola. Você e Jisung sentaram juntos, como sempre, mãos quase se tocando, trocando olhares discretos. No primeiro dia, entre trilhas e fotos, a proximidade entre vocês só aumentava. Durante uma pausa no mirante, o vento suave carregava o cheiro das flores e o som distante de uma música, como se o universo conspirasse para aquele momento. Jisung, meio nervoso, resolveu quebrar o silêncio que vinha carregando: — Tem uma coisa que eu preciso te contar... Desde aquele dia no terraço, eu não consigo parar de pensar em você. É estranho, né? Mas é verdade. Você sorriu, sentindo o coração disparar. — Também sinto isso, sabia? Antes que pudesse dizer mais, a campainha da excursão chamou para o almoço, e vocês voltaram para o grupo, mas o olhar que trocaram falou mais do que palavras. Durante a noite, ao redor da fogueira, ele puxou a guitarra novamente e tocou uma nova música — uma que ele compôs especialmente para você, cheia de promessas e sentimentos que só vocês dois entendiam. Entre amigos, risos e aquela melodia sob o céu estrelado, o coração de vocês bateu em perfeita sintonia. E naquele instante, você soube que esse era só o começo de muitas histórias juntos.
........
.......