𝗠𝘆 𝗟𝗶𝗳𝗲 - (𝗣𝗮𝗿𝘁𝗲 𝟭𝟮) | 𝗤𝘂𝗶𝘇𝘂𝗿

𝗠𝘆 𝗟𝗶𝗳𝗲 - (𝗣𝗮𝗿𝘁𝗲 𝟭𝟮) | 𝗤𝘂𝗶𝘇𝘂𝗿

→ 01 - Esta não é uma reescrita do "My Life" original criado por Esther, é apenas inspirado e baseado. → 02 - Essa estória não possui apenas um único protagonista. → 03 - Todas as imagens foram retiradas da plataforma Pinterest e algumas editadas por mim. → 04 - Caso queira se inspirar para escrever a sua própria estória, tudo bem, mas dê os devidos créditos. → 05 - Minhas inspiraçōes (créditos): — Arrow. - (2012) — As Tartarugas Ninja. - (2012) — Bridgerton. - (2020) — Cobra Kai. - (2018) — Gossip Girl. - (2007) — My Life. - Esther. — Pretty Little Liars. - (2010) — Riverdale. - (2017) — Scooby-Doo! Mistério S.A. - (2010)

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Hey_Max

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| "𝗘𝘂 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗾𝘂𝗶𝗻𝘇𝗲 𝗮𝗻𝗼𝘀..." |

1. | "𝗘𝘂 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗾𝘂𝗶𝗻𝘇𝗲 𝗮𝗻𝗼𝘀..." |
— 𝐌𝐀𝐗𝐈𝐍𝐄 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝗥𝗼𝘀𝘁𝗼𝘃, 𝗥ú𝘀𝘀𝗶𝗮. 𝟮𝟬 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟳. 𝗦𝗲𝗴𝘂𝗻𝗱𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮.

| 𝟎𝟔:𝟑𝟎 𝐚𝐦 |

Mal consegui dormir durante os últimos dois devido aos diversos eventos conturbados e descobertas surpreendentes. Tive a impressão de apenas fechar os olhos e abri-los novamente em questão de minutos quando Casey me acordou.

Casey: Senhorita? Senhorita? - Sua voz mansa e suave me despertaram com gentileza.

Max: Que horas são, Casey?

Casey: 06:30. - Bufei preguiçosamente e enterrei o rosto em um travesseiro.

Max: Case, hoje é segunda. - Resmunguei.

Casey: O capitão Sink ligou e solicitou a sua presença e da sua irmã urgentemente na delegacia. - Voltei minha atenção ao mordômo que ainda mantinha sua expressão serena. - Ao que parece tiveram algumas evidências novas no caso do seu irmão e eles precisam que você e a senhorita Isabella prestem depoimento o mais rápido possível. Seu pai já está esperando na sala de estar.

Max: Posso tomar café pelo menos?

Casey: Infelizmente não. Mas eu garanto que não vai demorar nada.

Ele então deixou o quarto e eu me vi atormentada por um preguiça matinal e pela falta de sono. Apenas tive tempo de tomar um banho rápido e vestir uma roupa antes de me encontrar com papai na sala.

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Uma vez na delegacia, Bella e eu fomos separadas tão rapidamente quanto alguém foge da peste. Meu pai se reuniu com o oficial do caso da Scotland Yard em sua sala e eu me vi sentada em uma cadeira qualquer tomando uma xícara de café servida gentilmente por um policial.

São nesses momentos em que percebo que não sou uma pessoa muito matutino e que não me importaria de dormir por pelo menos mais três horas.

Ouvi uma voz familiar chamar meu nome e ao me virar deparei-me com Jason Bass.

Jason: Max?

Max: Oi.

Jason: O que faz aqui?

Max: Bom, eles chamam de depoimento, eu chamo de interrogatório.

Jason: Eu sinto muito, Max.

Max: Mas e você? O que faz aqui?

Jason: Eu vim entregar alguns formulários de alunos que eu aconselho, faz parte da reabilitação deles.

Max: Esteve fora da cidade, não é?

Jason: Sim. Estava em Bath. Estamos tentando organizar a casa da vovó Drake. Precisa de alguns ajustes antes de colocarmos à venda. Ei, pode me fazer um favor?

Max: Claro. Do que precisa?

Jason: Dê um recado ao seu pai. Diz que ele me deve uma ligação. - Seu tom ligeiramente amargurado atiçou minha curiosidade.

Max: Por quê?

Jason: Apenas dê o recado. Eu voltei e ele não pode mais me evitar.

Seu tom mistérioso e vago me faziam querer saber o motivo de tal atitude, algo bem difícil de acontecer já que não me interesso muito pela vida alheia. Antes que o Bass ou eu pudéssemos dizer qualquer outra coisa, somos interrompidos pela presença da filha do capitão Sink, Iris.

Iris: Jason! Oi, Jason. Max. Desculpa interromper.

Jason: Tudo bem, nós já terminamos por aqui. - O Bass me olhou uma última vez antes de voltar a atenção para a Sink. - Como vão as coisas, Iris?

Iris: Argh! Eu estou exausta. Meu pai insistiu que eu ajudasse a recrutar voluntários para ajudar na organização do baile beneficente do departamento de polícia. Então, eu queria saber se você tá livre? - Iris olhou para o Bass em sinal de súplica e com um sorriso esperançoso no rosto.

Jason: Eu acho que não.

Iris: Bom, não custa tentar. - Iris se deu por vencida e direcionou sua atenção para mim. - Por favor me diz que os seus pais ainda vão vir?

Max: Sim, com certeza.

Jason: É... Que evento é esse? - Jason demonstrou um repentino interesse que pegou a mim e Iris de surpresa. - Talvez... talvez eu possa ajudar.

Iris: É o baile de gala na antevéspera de Natal. Os fundos vão todos para o hospital infantil. Acha mesmo que pode ajudar?

Jason: Sim. Quer dizer, se tá tão desesperada a ponto de me pedir ajuda, pode contar comigo.

Iris: Obrigada. Tá salvando a minha pele.

Jason lançou um sorriso simpático para Iris e voltou a me olhar nos olhos já que eu não conseguia evitar de olhá-lo com as sobrancelhas franzidas.

Joe: Maxine?

Desviei minha atenção para o capitão que estava escorado na porta da sala de interrogatório com uma pasta na mão enquanto dava passagem para minha irmã sair da sala.

Max: Com licença.

Me despedi educadamente de Jason e Iris e me dirigi até a sala. Olhei nos olhos de Bella antes de entrar e ela sussurrou em meu ouvido.

Bella: Boa sorte. Vou estar aqui fora te esperando. - Concordei com a cabeça e entrei na sala.

Me sentei em uma cadeira de frente para um dos detetives da Scotland Yard e um terceiro policial russo cuja única coisa nos separava era uma mesa metálica fria.

Policial S/Y: Muito bem. Maxine.

Max: É Max. - Eu o corrigi.

Policial S/Y: Desculpe, o quê?

Max: Ninguém me chama de Maxine. É Max.

Policial S/Y: Bom, eu devo confessar que não vejo muitas meninas usarem o nome Max. Algum motivo em particular?

Max: Maximus é o nome do meu tio materno. Chamam ele de Max. Minha mãe achou que seria uma boa homenagem.

Policial S/Y: E sua mãe se dá bem com os irmãos dela?

Max: Eu diria que sim.

Policial S/Y: E você me diria que se dá bem com os seus irmãos?

Max: Sim, somos todos muito próximos.

O britânico olhou para o russo e fez um sinal com a sobrancelha que eu presumi ser de que ele agora poderia falar. O capitão estava alí apenas como um intermédio e uma espécie de "guardião", já que meu pai não podia estar presente por ser um policial e ter envolvimento direto com o caso, minha mãe também estar na lista de testemunhas e não ser necessária a presença de um advogado já que segundo eles isso é apenas um testemunho e não interrogatório.

Policial R/D: Max, vou fazer algumas perguntas básicas e preciso que me responda nos mínimos detalhes. A começar pelo seu nome completo.

Max: Maxine

Policial R/D: E qual a sua data de nascimento?

Maxine: 28 de outubro de 2001 às 04:59 da manhã. Tenho dezesseis anos há exatamente três semanas.

Policial R/D: Okay. Pode nos contar em detalhes tudo o que se lembra de quando viu seu irmão pela última vez?

Max: Eu tinha quinze anos quando meu irmão foi assassinado no dia 29 de outubro de 2016, exatamente um dia depois do meu aniversário. A última vez em que o vi vivo foi naquela manhã durante o café. Fomos para a escola logo em seguida e da escola até onde eu sei ele saiu com os nossos irmãos e dois dos irmãos Bass para um bar próximo à universidade. Minha irmã Bella e eu fomos ao cinema e quando voltamos era por volta de 22:00. Não tinha ninguém em casa o que era estranho, já que provavelmente um de nossos irmãos estariam com alguma garota na casa durante a ausência de nossa mãe. Minha irmã foi direto pro quarto e já que o meu quarto ficava ao lado do banheiro que geralmente apenas as visitas usam, eu vi uma poça de àgua transbordando por de baixo da porta. Chamei a Bella e quando abrimos foi aí que o vimos.

Minha mente vagou para aquela fatídica noite novamente e eu via o corpo dele repetidas vezes em minha cabeça agora. Todo aquele sangue, aquele mistérioso "A" que apenas Bella e eu vimos e é claro o corpo de Delphin em pedaços dentro da banheira.

Joe: Max? - Olhei para Joe que me olhava com pesar. - Não precisa falar das condições do corpo se não quiser, mas é importante pro relatório.

Policial S/Y: Exato. Nós precisamos saber se a partir do seu depoimento e a autópsia feita pelo legista houve alguma contaminação ou algo que possa ter comprometido a cena do crime.

Max: Uh... - Pigarreie levemente para me recompor e engoli em seco. - Os olhos estavam abertos. A cabeça estava presa ao pescoço mas o resto do corpo estava esquartejado. Ele estava dentro da banheira mas ainda usava as roupas e havia sangue para todo o lado.

Policial R/D: Muito bem. Você e sua irmã relataram a mesma coisa de terem visto a inicial "A" escrita em sangue na parede, isso ainda precede?

Max: Sim.

Os três homens se entreolharam mais uma vez de forma enigmática antes que o capitão voltasse sua atenção à mim.

Joe: Isso é tudo, Max. Muito obrigado. Entraremos em contato se necessário.

Levantei-me da cadeira e caminhei até a porta acompanhada do capitão Sink que abriu a porta de forma cavalheira e me concedeu passagem para sair.

Uma vez do lado de fora, respirei profundamente e tentei ao máximo me recompor, já as imagens de Delphin morto naquela banheira continuavam a me assombrar.
2

| 𝗗𝗶𝘀𝗰𝘂𝘀𝘀ã𝗼 𝗺𝗮𝘁𝗶𝗻𝗮𝗹 |

2. | 𝗗𝗶𝘀𝗰𝘂𝘀𝘀ã𝗼 𝗺𝗮𝘁𝗶𝗻𝗮𝗹 |
— 𝐈𝐒𝐀𝐁𝐄𝐋𝐋𝐀 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Casey deixou à mim e Max na frente da escola e assim que olhei o horário percebi que não estava atrasada como eu imaginei que estaria.

Ao seguirmos caminho até a entrada da escola em meio a cochichos sobre nossos depoimentos, observei Caytlin a distância na entrada do prédio abraçada a um garoto com mais três pessoas.

Caytlin: Olha só, a dupla dinâmica ficou ainda mais patricinha. - A Ross revira os olhos ao observar Casey ainda em nosso carro modelo Rolls-Royce Phantom.

Max: Ignora ela. - Max murmura e continua caminhando com sua plenitude e paciência invejável.

Caytlin: Fiquei sabendo que o louro do quarteto se casou porque engravidou a namorada. É melhor tomar cuidado, Bella, ou vai ser a próxima. O Arthur nunca sabe a hora de parar.

Parei de andar instantaneamente e me virei ligeiramente para olhá-la nos olhos. Eu sei bem que ela queria me fazer perder a compostura, mas eu não daria esse gostinho à ela.

Bella: Bom, algumas de nós não precisam se rebaixar ao ponto de perder o orgulho só pra conquistar um cara. Isso é deprimente, Caytlin.

Max segurou o riso e curvou a cabeça para poder rir discretamente, enquanto Caytlin me fuzilou com o olhar. Me virei para poder entrar no prédio mas antes que fizesse isso senti uma leve ardência se espalhar em meu pulso e percebi que Caytlin o segurava com força. Agora sim o sangue fervia em minhas veias.

Bella: Me solta agora!

Caytlin: Ou o quê? O Arthur não tá aqui pra te proteger.

Observei Max avançar em nossa direção para me ajudar mas recomendo assim que uma silhueta masculina se aproximou e agarrou o braço de Caytlin que me mantinha presa. Era Casey que agora olhava para Caytlin de forma ameaçadora.

Casey: Solte-a. Agora!

Caytlin: Ou o quê? Vai me bater? Eu sou mulher e menor de idade, então se quiser ser preso, fique a vontade.

Casey: Ah, mas eu não vou preso. Tenho imunidade diplomática em oito países diferentes e também tenho a função de protege-lá a qualquer custo de qualquer um, seja você a rainha da Inglaterra ou não. Então, eu vou falar só mais uma vez. Solte a senhorita Isabella.

Casey olhou friamente para Caytlin que fulminante soltou meu pulso e Casey fez o mesmo com ela. A garota que fuzilou com o olhar uma última vez antes de Max me arrastar para dentro do prédio e evitar uma segunda briga. Casey retornou para o carro e saiu assim que Max e eu entramos.

Nada como um depoimento e uma discussão matinal para começar bem o dia.
3

| 𝗖𝗶ú𝗺𝗲𝘀 |

3. | 𝗖𝗶ú𝗺𝗲𝘀 |
— 𝐋𝐔𝐌𝐈𝐍𝐀 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

O sinal da última aula antes do almoço tocou e para a minha sorte eu tinha educação física. O corredor estava deserto enquanto me dirigi ao meu armário para guardar minhas coisas.

Ouvi passos se aproximando e seguidos por um perfume masculino que eu estou bem familiarizada. Fechei o escanhinho com uma certa força e curvei a cabeça para olhar Nate que agora estava ao meu lado com um sorriso sedutor nos lábios.

Nate: Oi.

Luna: O que faz aqui?

Nate: Bom, meu pai quer saber se vocês vão jantar lá em casa hoje. Como seu pai tá preso em uma reunião na Leblanc's Enterprise e ele não consegue falar com a Melissa e a Maryse, eu me ofereci pra falar com você.

Luna: E isso não tem nada a ver com o fato de você querer que reatemos? - Arquei uma de minhas sobrancelhas.

Nate: Ficaria chateada se eu dissesse que sim? - Soltei uma risada sarcástica e o olhei seriamente.

Luna: Nate, eu já falei. O que aconteceu entre nós fica no passado e não volta mais. Se estiver disposto ainda podemos ser amigos como éramos antes, mas se quiser algo a mais eu sugiro que se afaste antes que se magoe mais.

Nate: Isso tem algo a ver com o Coulthy? Vocês dois estão juntos ou o quê?

Luna: Não sabia que eu devia satisfação da minha vida pra você. - Nate mordeu a língua.

Nate: Não sabia que era permitido a herdeira da máfia russa se relacionar com alguém fora da máfia.

Luna: Em primeiro lugar: Alec é quem vai suceder meu pai. E levando em conta que tem mais quatro irmãos na minha frente, assumir a liderança parece algo bem improvável pra mim. E em segundo lugar: tá com ciúmes?

Nate: Talvez eu esteja.

Luna: Nate, eu conheço você a muito tempo. Sabe bem que a última coisa que eu quero é magoar você. Especialmente porque agora é cunhado do meu irmão e tio do meu futuro sobrinho. Mas se é necessário que eu seja franca, então que seja. Eu não te amo, Nate. Não do jeito que você gostaria. É melhor você entender isso de uma vez por todas.

Olhei em seus olhos azuis uma última vez antes de seguir meu caminho até a quadra. Para a minha surpresa, ele não esboçou muito sentimentalismo quanto eu pensei que faria. Mesmo assim, preciso ficar esperta com ele.
4

| 𝗔𝘀 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗮𝘀 |

4. | 𝗔𝘀 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗮𝘀 |
— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Durante o almoço, Nate não tirou os olhos de mim nem por um segundo e até mesmo teve a ousadia de flertar com uma líder de torcida para ver se isso sortia ciúmes. Foi aí que percebi que ele não ia desistir enquanto não tivesse certeza de que não tinha mais chance.

Passei o almoço inteiro pensando nas possibilidades que eu tinha e só me vieram duas na cabeça. A primeira: eu teria que falar com meus irmãos. Nate era insistente mas não era burro, ele sabia bem que os sete dariam uma bela surra nele sem pensar duas vezes se soubessem o que houve entre nós. Porém se eu fizesse isso, geraria um caos desnecessário e de uma forma ou de outra nossos pais iriam saber, isso também iria afetar Alison e Jeremy que já tinham muitos problemas.

Então, só me restava a segunda opção, arrumar um namorado, pelo menos um que não se importasse em fingir. E eu tinha a pessoa perfeita para o cargo.

Meu acordo com Dylan havia sido bem sucedido, já que Nigel não se aproximou mais e até saiu da cidade depois da ameaça de Alec. Não sei ao certo em que pé nós dois nos encontrávamos agora mas eu precisava da ajuda dele e com isso um outro acordo.

Quando chegou o horário da minha última aula, resolvi matá-la para ir até a faculdade conversar com o Coulthy. Liguei para Casey que rapidamente chegou e me deixou na frente do campus.

Sabia bem onde ele estava, no treino do time de hóquei. Caminhei até o estádio e já pude reconhece-lo vestindo a camisa de número 9. Ele jogava bem e fazia jus a reputação que tinha no quesito esportes.

Quando a partida terminou ao soar do apito do técnico, o Coulthy retirou seu capacete e jogou o cabelo desgrenhado para o lado enquanto olhava para mim na arquibancada que acenei para ele.

O moreno saiu do gelo e veio até mim quase sem fôlego.

Dylan: Não sabia que tinha plateia. - Ele sentou-se ao meu lado e começou a desamarrar seus patins.

Luna: Eu tenho que admitir, você até que não é ruim. Mas pode melhorar nos seus arremessos se pressionar menos o taco. - Seus olhos castanhos encontraram os meus e ele franziu o cenho da testa.

Dylan: Não imaginava que uma garota como você entendia de esportes. - Ele soltou uma risada nasalada e eu o olhei com os olhos semicerrados.

Luna: Uma garota como eu? Quer dizer rica e loura de olhos azuis? - Ele mordeu a língua e só então percebeu o que havia dito.

Dylan: Olha, não foi nem de longe minha intenção te ofender, mas sim. Pelo menos as garotas ricas que eu conheço não se importam com outra coisa além de sapatos e bolsas.

Luna: Bom, talvez essas garotas não tenham a quantidade de irmãos que eu tenho. - Ele esboçou um sorriso divertido.

Dylan: Tem razão. Mas por que veio aqui? Não vai me dizer que veio até a Hollis só pra analisar o meu jogo, não é?

Luna: Não. Na verdade preciso da sua ajuda. - Ele me olhou atento. - Nosso último acordo foi bem sucedido.

Dylan: É. Soube que o Berbrooke saiu da cidade. E se quer saber as garotas daqui ficaram um pouco assustadas por saberem que eu tava saindo com uma Leblanc. Você e seus irmãos tem uma fama bem ruim, loirinha. - Não pude evitar de soltar uma risada nasalada.

Luna: Se isso fosse verdade eu não estaria na situação que estou agora. - Murmurei baixo. - Mas vamos direto ao ponto. Preciso que façamos um outro acordo. E isso pode exigir um pouco mais de esforço.

Dylan: E o que é?

Luna: Não preciso que seja meu acompanhante ou ficante, eu preciso de um namorado. Tem um cara... - Desvie o olhar rapidamente. - nós tivemos um relacionamento, se é que eu posso chamar assim, e as coisas tomaram um rumo diferente. A questão é: eu não gosto dele e ele não consegue entender isso apenas com a minha palavra. Preciso que ele veja realmente que a fila andou.

Dylan: Quer que eu finja ser seu namorado pra espantar o seu ex?

Luna: Basicamente.

Dylan: E quem é o sujeito?

Luna: Por que quer saber?

Dylan: Como eu vou saber quem eu tenho que intimidar sem saber o nome dele? - Suspirei em sinal de redenção e com uma certa relutância.

Luna: Nate Bass.

Dylan: Nate Bass? - Sua surpresa era palpável. - A irmã dele não é sua cunhada?

Luna: Isso não vem ao caso agora, tá bom? Você vai aceitar ou não? - Olhei para ele de forma suplicante e ele pareceu pensar por uns segundos.

Dylan: E o que eu ganho em troca?

Luna: Além de afastar as suas fãs, do que mais precisa?

O Coulthy ao meu lado parou para pensar por uns segundos e sua atenção se voltou brevemente para algumas garotas que eu só pude presumir serem do curso de jornalismo que assistiam ao treino com olhares de desejo e um sorriso malicioso no rosto como se estivessem preparando uma matéria pronta para a capa do jornal.

As garotas em questão olharam em nossa direção e rapidamente desviaram o olhar assim que me reconheceram e a interação entre elas se resumiu a cochichos e olhares discretos.

Dylan agora esboçou um sorriso malicioso no rosto e eu tenho que admitir que sorriso...

Dylan: Tá bom, me escuta. As garotas do curso de jornalismo fizeram uma aposta pra ver quem consegue fisgar primeiro um calouro que tem sido assunto desde que chegou. No caso sou eu, os novatos do time e o seu irmão. — Fiz uma careta só de pensar que alguém quer levar meu irmão pra cama.

Luna: Não me diga que está preocupado com uma aposta, Coulthy? — Curvei meus lábios em um sorriso provocativo.

Dylan: A aposta não é o problema quando as garotas são doidas. Se eu estiver comprometido, elas vão ter que me deixar em paz, ainda mais pela sua reputação. O que me diz, Leblanc? Você me ajuda a vencer essa aposta e eu te ajudo com o seu sapo encantado. Temos um acordo? — Ele estendeu a mão e após analisar bem a situação eu a apertei.

Luna: Temos um acordo. Mas antes temos que estabelecer algumas regras.

Dylan: Luna, isso aqui não é um acordo de negócios.

Luna: Regras. É pegar ou largar. — O moreno suspirou e levantou as mãos se rendendo.

Dylan: Tá bom. Quais são suas regras?

Luna: Primeira: Nada de beijos.

Dylan: Como você acha que alguém vai acreditar nesse teatro sem nos beijarmos?

Luna: Muito simples. É só falarmos sobre meus irmãos. Segunda: ninguém pode saber disso. — Ele acentiu com a cabeça. — Terceira: demonstrações de carinho e afeto só em público e isso fora das nossas famílias. Quarta: vamos ter que reservar pelo menos um dia da semana para sairmos em um encontro ou algo do tipo, caso contrário ninguém vai acreditar. Você sugere mais alguma coisa?

Dylan: Sim. Como minha namorada vai ter que vir aos meus jogos. E sempre que tiver alguma festa, seja da escola, da universidade ou da gangue, nós dois vamos e não vamos desgrudar um do outro.

Luna: Por mim tudo bem.

Dylan: Inclusive, sexta o capitão do time vai dar uma festa e você vai comigo.

Luna: Sexta? Mas é o único dia da semana que eu posso assistir TV sem ninguém dizendo "Aí, hoje é meu dia de escolher o filme". - Ele riu talvez pelo fato de eu ter engrossado minha voz para ficar parecida com a de um dos meus irmãos.

Dylan: É apenas nessa sexta. E se você quiser eu posso ir na sua casa nas outras sextas assistir ao filme que você quiser.

Luna: Eu tava querendo assistir Clube da Luta mesmo.

Dylan: Clube do quê?

Luna: Você nunca assistiu Clube da Luta? - Perguntei atônita e ele negou com a cabeça. - Pode incluir isso também. Homem nemhum que eu conheço fica sem assistir Clube da Luta.

Dylan: Tá bem. Mais alguma coisa?

Luna: Hum... - Pensei por alguns segundos e então me lembrei da regra número 2. - Podemos acrescentar um ps na regra número 2. Olha, meus irmãos são muito protetores como você bem sabe, e você tem uma irmã, então entende eles. Se eu dissesse à eles que estou namorando você assim sem mais nem menos, eles iam acabar com você. Então, podemos contar que o nosso namoro é falso apenas para os nossos irmãos e amigos próximos. Combinado?

Dylan: Combinado.

Luna: Então, com regras estabelecidas, somos oficialmente namorados de mentira.
5

| "𝗡𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗳𝗲𝘇 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗮𝘀𝘀𝗶𝗺..." |

5. | "𝗡𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗳𝗲𝘇 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗮𝘀𝘀𝗶𝗺..." |
— 𝐈𝐒𝐀𝐁𝐄𝐋𝐋𝐀 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

O dia passou voando e não avistei mais a Caytlin depois do nosso encontro de manhã. Ao retornar para casa, fui direto para meu quarto tomar um banho relaxante. Uma ducha quente era tudo o que eu precisava agora.

Vesti um short confortável e uma blusa larga e já conseguia sentir meus músculos relaxarem um pouco mais.

Ouvi meu celular tocar na mesa de cabeceira e ao desbloquear a tela notei ser uma ligação de Arthur.

_ 𝗖𝗵𝗮𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗢𝗻 _

Arthur: Olá, Mi Bella.

Soltei uma risada com a entoação de seu francês péssimo.

Bella: Oi. Já tá com saudade?

Arthur: Na verdade eu só liguei pra você não ficar muito triste em não poder ouvir o som da minha linda voz

Bella: Ah é? Então até amanhã.

Arthur: Não, não, espera. Tô brincando. É claro que eu tô com saudade. Praticamente não te vi o dia inteiro.

Bella: Won, que fofo.

Arthur: Eu não tenho nada de fofo.

Não pude evitar de gargalhar.

Bella: Tá bom.

Arthur: Escuta. Se arruma e quero você na entrada do castelo em meia hora. Vou te levar em um lugar especial.

Bella: Quer dizer um encontro?

Arthur: Talvez. Se tiver planos, o que eu duvido, já que a Max me passou todo o seu itinerário, pode desmarcar.

Bella: Andou falando com a minha irmã sobre mim?

Arthur: É claro. Quem você acha que me ajuda a planejar as minhas surpresas? Ela te conhece melhor do que ninguém.

Bella: É você tem um ponto.

Arthur: Se arruma agora. Te busco em exatos 30 minutos. Não se atrase.

Bella: Tá bem, pai.

O som de sua risada do outro lado da linha fez meu coração aquecer.

_ 𝗖𝗵𝗮𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗢𝗳𝗳 _

Após encerrar a ligação, já me dirigi em direção ao meu closet para escolher uma roupa. Estava um pouco frio e o tempo se fechava para uma tempestade, então optei por uma calça jeans casual, uma blusa preta regata e uma jaqueta de couro rosa, além de um par de botas cano curto. Deixei meu cabelo solto e apenas o pentei mais uma vez. Resolvi não passar nemhuma maquiagem além de um gloss sabor cereja.

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Para a minha surpresa, Arthur resolveu me levar ao cinema e me surpreendi mais ainda ao entrar na sala e perceber que a mesma estava praticamente vazia. Haviam apenas alguns casais jovens e outros de idade mais avançada.

O filme em questão que estava passando era "A Bela e a Fera" versão live action que havia estreado no começo do ano e eu pensava nem estar mais passando.

Bella: Como conseguiu isso? - Sentei-me ao seu lado e ele logo envolveu um dos braços ao redor de meus ombros.

Arthur: Eu tenho meus métodos. Além disso, Max me disse que esse é o seu filme de princesa favorito. Eu sou mais fã de super heróis e ação mas acho que posso fazer esse sacrifício por você.

Ele esboçou um charmoso sorriso de canto e não pude conter um sorriso emocionado e até mesmo um pouco envergonhado.

As borboletas em meu estômago se agitaram ao sentir o doce aroma de seu perfume masculino e sua loção pós barba.

Bella: Não que eu esteja reclamando nem nada do tipo, mas posso saber o motivo desse repentino encontro?

Arthur: Eu só queria sair um pouco mais com você. Não fazemos isso a um tempo. - Arquei levemente minha sobrancelha e ele se rendeu. - Tá bem. Tem sim um motivo. Desde que começamos a namorar eu percebi que não tenho agido da forma como deveria. Isso é tudo muito novo pra mim já que eu nunca tive uma namorada antes. Eu até paguei para rodarem esse filme até mais tarde só pra você poder assistir. - Senti aos poucos um sorriso bobo se formar em meus lábios enquanto eu olhava cada traço de seu rosto.

Bella: Arthur Peterson, está querendo bancar o romântico?

Seu rosto corou ligeiramente o que só o deixou ainda mais charmoso e eu o vi morder o lábio inferior.

Arthur: Talvez. Eu pensei que talvez você fosse gostar desse tipo de coisa. - Não pude conter uma risada com seu comentário.

Bella: Escuta. - Me curvei ligeiramente e o olhei fixamente nos olhos. - Você não precisa mudar quem é pra me agradar, eu gosto de você do jeito que é. Além disso eu tenho que admitir que ao contrário da maioria das garotas eu não sou muito apegada a declarações de amor e gestos extravagantes. - Um sorriso amarelo iluminava seu rosto de um canto a outro.

Arthur: Como eu tive tanta sorte?

Bella: Isso eu não sei. Mas é um fato.

Arthur: Convencida.

Ele balançou levemente a cabeça em sinal de repreensão e divertimento pela minha convicção e voltou a prestar atenção no filme.

Bella: Ei. - Seus olhos encontraram os meus novamente. - Nunca ninguém fez algo assim por mim.

Arthur: Então são todos tolos. - Sorri mais uma vez e senti meu estômago se agitar.

Ele curvou ligeiramente a cabeça para o lado e aproximou o rosto do meu, buscando meus lábios em um beijo romântico enquanto ouvíamos apenas a música de fundo tocar no filme.
6

| 𝗢 𝘁𝗿𝗲𝗶𝗻𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 |

6. | 𝗢 𝘁𝗿𝗲𝗶𝗻𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 |
— 𝐑𝐎𝐁𝐈𝐍 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Assim que cheguei da escola, fui direto para o dojô que fica na sede Leblanc onde treinamos. Apenas Layla, Luna, Greg, Max e Jeremy estavam comigo. Alec, Fred, Travis e Harry conseguiram escapar pois treinaram de manhã e Bella conseguiu convencer papai a deixá-la ir em um encontro com o Peterson.

Vestimos nossos quimonos pretos e logo formamos duplas e iniciamos o treino. Layla estava treinando comigo, enquanto Greg treinava com a Luna e Jeremy com a Max.

Minha parceira em questão parecia meio distante e não estava totalmente focada. Eu podia perceber isso só pelo modo que ela segurava o alvo enquanto eu deferia chutes nele.

Robin: Aí! - Chamei sua atenção e ela me olhou meio atordoada. - Você tá bem?

Layla: Tô. Eu só... Tô pensando.

Robin: No Vitor? Ainda gosta dele, né? - Por um momento ela abaixou o olhar e sacudiu a cabeça.

Layla: Isso não importa agora. - Ela murmurou baixo. - Mas se quer saber andei pensando na minha mãe e nas irmãs. Já se perguntou o porquê deles nunca terem nos contado sobre os irmãos? Tipo, o que aconteceu de tão ruim pra eles se distanciarem assim?

Robin: É claro que eu já me fiz essa pergunta. Mas você sabe que eles não vão contar. Se sabemos guardar bem um segredo é porque aprendemos com os melhores. - Dei um chute mais forte no alvo e Layla os abaixou logo em seguida.

Layla: Você não cansa desses segredos? De todo esse suspense sufocante. Será que que também vamos ser assim quando tivermos nossos próprios filhos?

Robin: Eu espero que não.

Olhei de relance para Jeremy que treinava com a Max e por sorte estava distraído. Ele já estava inseguro em se tornar pai aos 16, não precisava ter mais esse peso sobre as costas.

Voltei a treinar com Layla que agora estava um pouco mais concentrada. Nosso treino foi interrompido apenas pela chegada de alguns dos irmãos Bass, com exceção de Carter e Alison. O mais velho provavelmente estava com o pai no hotel e a loura estava com a mãe organizando a mudança que seria feita em alguns dias. Enquanto isso não acontecia, os recém casados estavam morando conosco já que a nossa casa tinha espaço de sobra e os dois poderiam ter a privacidade que precisavam.

O mundo a minha volta parou no momento em que vi sua presença. Samantha Bass estava aqui. Seu cabelo ruivo estava preso em um rabo de cavalo e ela trajava um quimono branco que ficava perfeito em seu corpo.

Mal percebi quando Layla acertou um chute com força no alvo que agora eu segurava próximo a minha barriga me retirando assim do transe ao qual estava preso.

Voltei a me concentrar nos golpes de minha irmã e tentei ao máximo não olhar para Sam que treinava com Daphne.

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Já haviam se passado horas que estávamos treinando e Bart Bass era quem nos conduzia. Quando a noite caiu e se aproximou da hora do jantar, os cinco irmãos Bass se retiraram e logo foram seguidos por Jeremy e Layla.

Luna e Greg ainda permaneceram em uma luta amistosa e Max me ajudava a praticar chutes, algo que eu realmente precisava melhorar.

Estava tão concentrado em focar apenas no meu alvo e girar o meu corpo cada vez mais alto para deferir chutes mais fortes e precisos que mal notei quando Bart se aproximou.

Bart: Não vão querer jantar? Devem estar com fome.

Robin: Ainda aguentamos mais um pouco.

Já estava sem fôlego e podia sentir o suor pingando desde a ponta dos meus cabelos. Minha gêmea estava igualmente cansada, mas não demonstraria isso obviamente. Bart nos olhou com um meio-sorriso nostálgico.

Bart: Vocês dois se parecem muito com Robert. Ele também treinava até os ossos do corpo doerem. Não posso culpá-lo, Wilhelm nunca pegou leve com nemhum deles.

Max: Como ele era?

Max demonstrou interesse no conhecimento de Bart pelo avô que não conhecemos e admito que eu também.

Bart: Seu avô foi um dos homens mais corajosos que já conheci. Todos os filhos o admiravam. Sabem? Eu me vejo em vocês dois as vezes. Eu também era o caçula de uma família particularmente grande. Bem, isso até acontecer o que vocês sabem o que aconteceu. - Max e eu trocamos olhares penosos e um pouco culpados por Bart ter que relembrar seu passado trágico. - A vida é cruel as vezes e não poupa crianças. Foram ensinados a lutar com honra e discernimento, certo? - Ambos concordamos com a cabeça. - Isso é de fato nobre e vai moldar quem vocês serão no futuro, mas não significa que seus oponentes também irão pensar desse jeito.

Max: O que quer dizer?

Bart: Quero dizer que toda luta que tiverem, seja aqui ou fora desse tatame, não vejam como embate, vejam como a vida real e na vida real vocês não podem pegar leve. Pensem nisso e se perguntem se o assassino do Delphin teve misericórdia dele.

Então, com um último olhar, a presença impotente de Bart Bass se afastou de nós e se dirigiu até a saída da sala. Max e eu permanecemos em silêncio absorvendo os ensinamentos de Bart e por fim nos juntamos a Greg e Luna e fomos embora para casa.
7

| 𝗗𝗲𝘀𝗮𝗳𝗶𝗼 𝗱𝗼 𝗖𝗼𝗶𝗼𝘁𝗲 |

7. | 𝗗𝗲𝘀𝗮𝗳𝗶𝗼 𝗱𝗼 𝗖𝗼𝗶𝗼𝘁𝗲 |
— 𝐌𝐀𝐗𝐈𝐍𝐄 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝗥𝗼𝘀𝘁𝗼𝘃, 𝗥ú𝘀𝘀𝗶𝗮. 𝟮𝟭 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟳. 𝗧𝗲𝗿ç𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮.

| 𝟎𝟓:𝟎𝟎 𝐚𝐦 |

Fui acordada por meu pai às 04:30 para um treino especial. Apenas levantei da cama e tomei um banho rápido para despertar um pouco mais. Após terminar o banho, fui à procura de uma roupa adequada em meu closet. Optei por uma calça preta e um moletom roxo curto, bem como uma camiseta de flanela amarrada na cintura e um tênis all star preto.

Meu pai não deu muitas informações sobre como seria o treino e só disse que seria realizado em conjunto com os irmãos Bass.

Levou alguns minutos até chegarmos em um dos montes mais altos da cidade e adentramos em uma floresta aberta e clara pela luz do sol.

Bart e os filhos já se encontravam presentes e Alison que não iria participar por estar grávida, serviria como árbitro, Casey treinaria conosco no lugar dela.

Os dois homens nos dividiram em dois grupos com nove integrantes e nos entregaram duas faixas, uma preta e outra vermelha.

Bart: Senhores, senhoras. - Bart andou calmamente no meio do corredor improvisado que dividia os dois grupos e todos mantívemos a atenção nele. - Bem-vindos ao Desafio do Coiote. Vocês foram separados em duas equipes. A vermelha... e a preta. O objetivo é pegar o máximo de faixas possíveis da outra equipe. Hoje, as pessoas do outro lado não são seus amigos. Não são seus irmãos. - Olhei para Bella que estava a minha frente e ambas esboçamos sorrisos maliciosos. - Eles são seus inimigos. A equipe que sobrar, vence. - Ao terminar sua fala, Bart se posiciona ao lado de meu pai.

Jason: Como pegamos as faixas?

Bart: Usem os métodos que quiserem.

Alec: E quais são as regras.

Bart: Não tem regras.

Robert: Tenham discernimento. Isso é só um exercício.

Bart: Sim, mas lembrem-se, é a vida de vocês. - Bart nos mostra a faixa vermelha em sua mão para dar ênfase em sua frase. - Se perderem, morrem.
____________________________________

• 𝙀𝙦𝙪𝙞𝙥𝙚 𝙥𝙧𝙚𝙩𝙖: 𝘿𝙖𝙥𝙝𝙣𝙚, 𝙇𝙪𝙣𝙖, 𝙈𝙖𝙭, 𝘼𝙡𝙚𝙘, 𝙏𝙧𝙖𝙫𝙞𝙨, 𝙃𝙖𝙧𝙧𝙮, 𝙂𝙧𝙚𝙜, 𝙍𝙤𝙗𝙞𝙣 𝙚 𝘾𝙝𝙪𝙘𝙠.

• 𝙀𝙦𝙪𝙞𝙥𝙚 𝙫𝙚𝙧𝙢𝙚𝙡𝙝𝙖: 𝙎𝙖𝙢, 𝙇𝙖𝙮𝙡𝙖, 𝘽𝙚𝙡𝙡𝙖, 𝘾𝙖𝙧𝙩𝙚𝙧, 𝘾𝙖𝙨𝙚𝙮, 𝙅𝙖𝙨𝙤𝙣, 𝙉𝙖𝙩𝙚, 𝙁𝙧𝙚𝙙 𝙚 𝙅𝙚𝙧𝙚𝙢𝙮.
____________________________________

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Ao dar início ao desafio, todos nós espalhamos pela floresta e até parecia que estávamos brincando de esconde-esconde de novo.

Robin caminhava ao meu lado enquanto procurávamos alguém da equipe vermelha.

Robin: O que acontece se no final ficar só a gente?

Max: Vou ter que arrancar essa linda faixa da sua cabeça. - Esboçei um sorriso maroto e ele riu.

Robin: Tá. Essa faixa vai ficar onde ela tá.

Paramos instantaneamente ao ouvimos um ruído e galhos quebrando, ao nos virarmos demos de cara com Jason.

Jason: Ah, merda!

Robin e eu trocamos sorrisos maliciosos o nos posicionamos ao redor do Bass louro para iniciar a luta. Robin se posiciona pelo lado direito enquanto eu pelo esquerdo. Cerrei meus punhos e me preparei para iniciar a luta. Jason lançou-se sobre mim que desviei e o acertei com um chute frontal, mirando na lateral de seu tronco. Ele bloqueiou o ataque com um Soto-Uke e eu rapidamente ganhei impulso para deferir um chute tornado em seu ombro. Jason ficou ligeiramente desnorteado e se voltou na direção de Robin.

Max: É todo seu.

Robin: Não. Primeiro as damas.

Robin deferiu um chute em seu estômago e em seguida dá uma varrida em sua perna o lançando em minha direção novamente.

Max: Obrigada. - Apliquei um golpe com meu cotovelo em seu tronco, que foi o suficiente para deixá-lo momentaneamente imobilizado enquanto retirei a faixa vermelha de sua cabeça. Finalizei o derrubando com uma rasteira. - Sem ressentimentos.

Robin: E sem compaixão.

Jason levantou-se após alguns segundos enquanto caminhei com Robin pela floresta a procura do nosso próximo alvo.

Robin passou a minha frente ao notar a presença de Fred e eu parei de andar ao ser interceptada por Alison.

Alison: Max?

Max: Alison. O que foi?

Alison: Já viu o Jeremy por aí?

Max: Não, mas eu espero que o encontre logo logo pra tirar aquela faixa da cabeça dele. - O olhar da loura parecia ligeiramente preocupado o que me fez deixar meu humor de lado e passar a demonstrar seriedade. - Por quê? Aconteceu alguma coisa?

Alison: Eu disse pra ele que era melhor não participar desse treino. Ele não anda bem desde que leu aquela carta. - Rapidamente senti o cenho da testa franzir por não saber do que ela estava falando.

Max: Como assim?

Alison: Você sabe, a carta que o Alec entregou pra ele no dia do casamento. Era uma carta do Oliver e outra do Delphin. E ele basicamente recebeu a confirmação de que o Delphin sabia que ia ser morto. - Tentei ao máximo disfarçar minha surpresa e permaneci sem palavras. - Se o encontrar pode dizer que eu preciso falar com ele? - Forcei um sorriso.

Max: Claro.

Alison: Obrigada, Max. - Então ela trilou um caminho acredito eu para onde nossos pais estavam.

Senti um nó no estômago e o sentimento de traição agora era enraizado com força em minhas veias. Observei Jeremy à alguns metros de distância e só senti a raiva me consumir cada vez mais.
8

| 𝗩𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗮𝗱𝗮 |

8. | 𝗩𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗮𝗱𝗮 |
— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Após pegar a faixa de Jason, consegui pegar as de Casey e Sam. A floresta era vasta e por isso não sei quantos do meu time ainda restavam ou se apenas eu havia sobrado.

Mais uma vez fui capaz de observar Jeremy e resolvi me escorar em uma árvore enquanto o esperava cruzar meu caminho. Um sorriso maroto se formou em seu rosto e eu rapidamente pude notar duas faixas pretas amarradas em sua cintura.

Jeremy: Finalmente um oponente digno. - O encarei seriamente.

Max: Eu sei sobre a sua cartinha mistériosa. - Jeremy ficou pálido. - Aquela que pode provar a minha inocência e da Bella.

Jeremy: Max, eu não contei porque não podia. Acredita em mim, eu não tinha escolha.

Max: Sempre há uma escolha, Jeremy. E você fez a sua. Pensei que não guardavamos segredos um do outro. Você mesmo disse que nada ia mudar e olha só no que deu.

Jeremy: Espera aí, acha que eu fiz isso por causa da Alison?

Max: Por que não? Afinal de contas ela é sua esposa agora. Mas eu era sua irmã antes disso. Acobertei você uma centena de vezes e é assim que me agradece?

Jeremy: Isso não tem nada haver com a Alison e eu não tenho culpa se você prefere ficar sozinha a sentir algo verdadeiro por alguém.

Max: Aí é que tá. Você nunca foi capaz de admitir quando tava errado, sempre jogou tudo nos meus ombros ou da Bella ou do Robin.

Jeremy: Isso não é verdade.

Max: Ah é? Então prova. Me dá a carta e eu esqueço isso.

Jeremy: Não posso fazer isso. Se quiser a carta vai ter que tirar de mim. - Soltei uma risada sarcástica.

Max: Então que seja.

Ambos adotamos posições de luta tradicionais, com os punhos cerrados à frente do corpo e os pés distantes um do outro. Olhei para o ambiente ao meu redor rapidamente tentando buscar uma vantagem.

Jeremy era mais alto e mais forte, seu estilo de luta era baseado no improviso, o que me dava uma vantagem tática.

Como imaginei, meu irmão foi o primeiro a avançar. Testei sua defesa utilizando um jab e cruzado, o atingindo com meu punho da frente e depois com o da retaguarda.

Jeremy respondeu ao meu ataque rapidamente com um chute lateral alto, mirando em minha cabeça. O bloqueei com facilidade e o contra-ataco com um chute frontal no abdômen, o empurrando para trás no processo.

Podia sentir que a raiva estava me consumindo cada vez mais e pelo fato de estar praticamente levando uma surra, Jeremy também estava começando a ficar irritado.

Nossos olhares se cruzaram rapidamente e a tensão era palpável. Nunca nos olhamos desse jeito. Como rivais de verdade.

Jeremy estava irritado por eu tê-lo acusado de estar ao lado de Alison e eu estava irritada por ele ter mentido e escondido algo que poderia limpar o meu nome.

No momento, éramos rivais, assim como Bart havia falado, e nemhum dos dois estava disposto a desistir facilmente.

O louro se lançou mais uma vez em minha direção e tentou um chute giratório lateral, mas fui capaz de me esquivar e em resposta segurar sua perna e aplicar uma rasteira, o derrubando no chão.

Jeremy: É tudo o que você sabe?

Jeremy rapidamente se levanta e cerra os punhos novamente de uma forma meio desleixada, já consumido pela raiva. Seu rosto estava corado e seu cabelo desgrenahado, mas seus olhos estavam fulminantes, não tanto quanto os meus que eu até podia sentir a ardência localizada na região.

Jeremy fecha a distância entre nós e tenta uma sequência de gancho de direita em meu queixo e um contovelaço horizontal de esquerda, mirando em minha têmpora, seguidos de um empurrão para abrir espaço.

Seu empurrão me fez perder um pouco o equilíbrio e foi o bastante para ele conseguir me acertar — pela primeira vez — com um chute rodado na linha média, acertando em cheio meu tronco e me empurrando para trás. Senti uma pontada em minhas costelas devido a intensidade de seu golpe mas consumi a dor e antecipo seu próximo ataque com um bloqueio de antebraço cruzado e que ele consegue desviar de meu soco direito. Já esperando que ele fosse desviar, rapidamente ganhei impulso para girar meu corpo e acertá-lo na lateral da cabeça com um chute alto circular.

Após mais alguns deslocamentos laterais, Jeremy tenta mais um chute giratório, o que facilita para que eu possa mergulhar sob seu golpe e aplicar um duplo soco no troco, seguido por um chute voador frontal, projetando Jeremy para trás e encerrando assim nossa luta.

Minha respiração estava um pouco ofegante e eu tive de inspirar profundamente. Caminhei até meu irmão que permanecia deitado na folhagem e retirei a faixa de sua cabeça.

Max: É tudo o que eu sei. — Não pude deixar de lançar um último olhar desapontado para ele que não fez nada além de desviar o olhar.

Voltei minha atenção para nossa plateia que eu nem havia me dado conta de que já estavam aqui à um tempo. Ergui a faixa vermelha de Jeremy no ar e anunciei para meu time que vencemos. Rapidamente todos vieram até mim para podermos comemorar.

Olhei de relance para meu pai que continha um olhar distante e até mesmo decepcionado. Bart fala algo para ele que eu consigo decifrar após uma leitura labial.

Bart: Parece que a sua garota tá desenvolvendo um instinto assassino.

Separei-me da euforia de meus irmãos e me aproximei do homem de cabelos castanhos e olhos verdes.

Robert: O que foi isso? Não te ensinei a lutar desse jeito.

Max: Foi o que o Bart ensinou. Isso aqui não é um treino, é a vida real. - Olhei séria para ele que continuava a me olhar com uma decepção cortante.

Robert: É assim que quer viver sua vida?

Eu não disse mais nada. Ele se afastou e me deixou alí completamente confusa sem saber em que acreditar e em qual ensinamento seguir.
9

| 𝗚ê𝗺𝗲𝗼𝘀 |

9. | 𝗚ê𝗺𝗲𝗼𝘀 |
— 𝐉𝐄𝐑𝐄𝐌𝐘 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Após o treino, meus irmãos foram para a escola e os mais velhos para a universidade, enquanto eu acompanhei Alison até o hospital para seu ultrassom.

Segundo o médico que a estava acompanhando, sua gravidez já estava na setíma semana, o que significava que ela ficou grávida na mesma noite em que fizemos sex* no carro após o jogo de hoquéi com as Hofferson.

Era só uma questão de tempo até descobrir o sex* do bebê, o que deixava a Bass ainda mais eufórica com relação a escolha de nomes.

Eu também estava muito empolgado com tudo isso, mas hoje só que conseguia pensar era em como deixei minha irmã magoada.

Max não era de deixar se levar pelas emoções, por isso eu raramente à via brava, mas hoje... O brilho irritado dos seus olhos foram como uma faca atravessando minha alma.

Sei que ela tinha motivos para isso, e pelo fato de ter me vencido no desafio do Coiote eu sabia que tinha que cumprir com a minha palavra.

Pensei que estava fazendo o certo em esconder tudo isso. Pensei de verdade que estava protegendo eles, mas agora tudo se foi.

Alison gentilmente me retira de meus pensamentos tortuosos ao tocar em minha mão. Seus olhos me analisavam com uma pontada de preocupação mas ao mesmo tempo transmitiram aquele calor e compreensão que só ela era capaz de fazer.

Alison: Eí! Tudo bem?

Jeremy: Tá.

Alison: É a Max, não é? Olha, eu sinto muito por ter contado sobre a carta. Eu realmente pensei que você tinha contado pra ela.

Jeremy: Alison, tá tudo bem. - Apertei sua mão suavemente para tentar tranquiliza-lá. - Eu não contei porque pensei que assim poderia protegê-la. Não só ela, mas a Bella também. Pensa bem. Não sabemos quem matou o Delphin e o Harry desconfia que foi alguém de dentro. Meu pai já sabe que temos um traidor em nosso meio. As gêmeas são as únicas que viram toda a cena do crime. Se eu contasse sobre a carta e que o Delphin praticamente admitiu que sabia que ia ser morto isso...

Alison: Poderia colocar um alvo nas costas delas? - Concordei com a cabeça. - Eu entendo. Mas acho que devia esclarecer isso para elas. São suas irmãs afinal. Agora, mudando de assunto... - Seu rosto se iluminou com um sorriso torto. - Nosso filho precisa de um nome.

Jeremy: Por favor, não me diga que vai querer batizar nosso filho com o nome de um daqueles poetas que você gosta tanto? — Meu olha de súplica não teve o menor efeito nela.

Alison: Nada me tira da cabeça que o nome dele vai ser Maquíavel. — Não pude evitar uma careta e ela sorriu orgulhosa.

Jeremy: Tá bom. — A loira me olhou surpresa. — Você pode escolher esse... Nome caso seja menino. Mas se for menina eu escolho.

Alison: E o que você tem em mente? Jeremia? — Gargalhei.

Nossa conversa parou no momento em que o médico apareceu para iniciar assim a consulta.

Uma vez dentro da sala que tinha uma iluminação mas reservada e cuja única luz era a do monitor que mostraria o nosso bebê, senti um arrepio percorrer a minha espinha e o nervosismo corroer cada grama do meu corpo.

Alison se deitou na cama e o homem espalhou gentilmente o gel sobre sua barriga que começava a crescer cada vez mais.

Pude ver seus dedos tamborilhando a mesa de metal e seu nervosismo sendo consumido aos poucos. Me aproximei então e segurei firme em sua mão. Senti que seu corpo estava relaxando mais ao meu toque e o mesmo efeito surtir em mim. Esboçei um sorriso caloroso para ela que retribuiu da mesma forma.

Médico: Ah... Vejam só. — Rapidamente ambos olhamos para o homem que mantinha os olhos fixos no monitor.

Alison e Jeremy: O quê? – O temor em nossas vozes era palpável e o homem rapidamente nos olhou com um sorriso simpático no rosto.

Médico: Não se preocupem, seus bebês estão bem.

Jeremy: Graças a De... — Meus olhos se arregalados e senti meu coração parar ao analisar suas palavras. — B-bêbes?

Médico: Sim. São gêmeos. E pelo que eu posso ver aqui são um casal. Meus parabéns.

Alison e eu nos entreolhamos ainda plerplexos e olhamos para o monitor. Senti meu coração pulsar mais rápido ao ver duas pequenas "manchas" que começavam a se formar e crescer.

Alison apertou ainda mais minha mão e foi tomada pela emoção assim como eu.

Médico: Vocês já tem nomes em mente?

Alison: Eu escolhi Maquíavel pra menino.

Médico: Quer vê-lo? — Alison concordou com os olhos já iluminados como dois faróis. — Este é o seu Maquíavel. — O doutor apontou para o bebê localizado no lado direito e ao colocar os olhos na outra rapidamente tive um nome em mente. — E a garotinha como vai se chamar?

Jeremy: Mavis. — Os dois me olharam e Alison sorriu em concordância.

Médico: Maquíavel e Mavis. São nomes bem diferentes. Meus parabéns aos dois.

O homem continuou seu trabalho e imprimiu a foto do ultrassom e nos entregou.

Gêmeos.

Eu seria pai de gêmeos.
10

| "𝗡ã𝗼 𝗺𝗲 𝗲𝗻𝘀𝗶𝗻𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗮 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻ç𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗮𝗶𝘅ã𝗼 𝗲 𝗵𝗼𝗻𝗿𝗮..." |

10. | "𝗡ã𝗼 𝗺𝗲 𝗲𝗻𝘀𝗶𝗻𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗮 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻ç𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗮𝗶𝘅ã𝗼 𝗲 𝗵𝗼𝗻𝗿𝗮..." |
— 𝐌𝐀𝐗𝐈𝐍𝐄 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

| 𝟎𝟑:𝟑𝟎 𝐩𝐦 |

Após as aulas, meus irmãos e eu fomos direto para a mansão sede para treinar.

O céu estava tomado por nuvens escuras simbolizando que iria chover, o que era normal nessa época do ano.

A casa em si estava tomada de pessoas — como de costume. — Todos rapidamente desviavam a atenção de suas tarefas para comprimentar aos filhos do chefe com um sorriso educado e um pequeno gesto de respeito como curvar a cabeça.

Cruzamos alguns corredores e descemos alguns lances de escada até finalmente chegarmos ao dojo improvisado no qual todos treinamos.

Robert: Em formação! — Seu tom de voz era autoritário e grave como de costume.

Retirei meus sapatos assim como meus companheiros e nos posicionamos em linhas no tatame enquanto nosso pai presidia a aula.

Alec: Por que não tem mais ninguém aqui?

Robert: Porque hoje o treino de vocês é fechado. Robin, Max, venham aqui. — O moreno e eu nos entreolhamos rapidamente antes de atender a ordem de nosso genitor e nos posicionarmos ao seu lado. — Robin... você atacou seu oponente pelas costas? — Vejo Robin franzir o cenho sem saber se deveria responder ou não.

Robin: Sim, sensei.

Robert: Max, atacou de propósito seu oponente enquanto ele estava vulneravél?

Max: Sim, sensei.

Robert: Acham que isso faz de vocês valentes?

Robin e Max: Uh...

Robert: Vamos facilitar a pergunta. Harry! — O homem se volta para o loiro que até o momento permanecia calado. — Dois caçadores na selva. Um deles mata um leão, o outro um coelho aleijado. Qual deles você quer ser?

Harry: O que matou o leão?

Robert: E por quê?

Harry: Porque matou o animal mais forte.

Robert: Correto! Ser um Leblanc é ser durão e valente. E o mais valente é aquele que vence o seu oponente em seu melhor. Não é quando ele está de costas! — Seu tom saí ríspido frente a frente com Robin, antes de fazer o mesmo comigo. — Não é quando ele está vulneravél e indefeso! Entendido?

Todos: Sim, sensei.

Robert: Não treinei vocês para trapacearem. Ou jogarem sujo. Daqui em diante, isso será coisa de frouxo. E vocês não querem ser frouxos, certo?

Todos: Não, sensei.

Robert: Ótimo. Marquei esse treino extra porque quero recomeçar. Robin e Maxine, 50 flexões de mão fechada. Alec, pode seguir com o treinamento.

Meu irmão e eu apenas obedecemos em silêncio e rapidamente atendemos ao "castigo".

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

A noite já havia caído e meu corpo inteiro estava dolorido. Mal sentia minhas mãos e minhas pernas clamavam por um sofá ou uma cama.

Decidi fazer uma pausa e saí da sala, encontrando meu pai com os olhos fixos em alguns papeis enquanto permanecia sentado em uma das cadeiras de espera.

Max: Pai, posso falar com você?

Robert: O que você quer, Max?

Max: O que foi aquilo? Castigo por ter vencido uma luta?

Robert: Estou te ensinando uma lição.

Max: Tá, e quanto a sem compaixão? Você nos ensinou a vencer a todo custo. — Ele abaixou seu olhar e suspirou.

Robert: Talvez eu ainda esteja aprendendo.

Max: Eu não entendo. Você nunca se importou com ninguém que lutamos. Por que ter pena do Jason?

Ele suspirou mais uma vez e levantou-se, caminhando em minha direção. Seu olhar e postura já não estavam rígidos e sério como antes, ele até parecia mais calmo e sereno.

Robert: Olha... não me ensinaram a diferença entre compaixão e honra e eu paguei o preço por isso. Se peguei pesado com você é porque acredito no seu potencial pra ser melhor do que eu. Você quer isso não quer?

Max: Sim, sensei.

Robert: Ótimo. Agora para de choramingar feito uma mulherzinha e vai tomar um banho e tirar esse cheiro de suor. Tá parecendo até os seus irmãos. — Comprimi os lábios em um sorriso e ele fez o mesmo.

Voltei ao tatame para pegar minha bolsa grande e acompanhei meu pai até a saída. Não tocamos mais no assunto de antes ou qualquer coisa relacionada à Jason Bass, apesar de ainda culminar algumas dúvidas, ao invés disso, meu pai agiu normalmente. Conversamos pouco e só até chegamos ao andar de cima onde ele rapidamente foi interceptado por alguns capos.

Essa era a minha deixa para sair de fininho antes que algum garoto mal informado venha querer me chamar para sair.
11

| 𝗢 𝘀𝗲𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗿𝗼 |

11. | 𝗢 𝘀𝗲𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗿𝗼 |
— 𝐌𝐄𝐋𝐈𝐒𝐒𝐀 𝐓𝐇𝐎𝐑𝐒𝐓𝐎𝐍 —

| 𝟎𝟖:𝟎𝟎 𝐩𝐦 |

Enquanto a casa estava em seu mais perfeito silêncio, desfrutava de cada momento que ainda restava desta paz lendo um bom livro. Logan estava em uma reunião da empresa, enquanto Robert treinava com os filhos.

Nem era capaz de me lembrar da última vez em que fiquei completamente sozinha nesta casa.

Fui retirada de meu momento de lazer por Marie (empregada) que se aproximou com um telefone nas mãos.

Marie: Senhora?

Melissa: Sim, Marie?

Coloquei o livro na mesinha de centro e retirei meus óculos de leitura para me concentrar totalmente na governanta à minha frente.

Marie: Um telefonema para a senhora. Ela disse que é a sua irmã.

Não pude deixar de franzir o cenho da testa antes de pegar o telefone com uma certa relutância e curiosidade ao mesmo tempo. O que será que Lily ou Madson queriam a essa hora?

Melissa: Obrigada, Marie. - A mulher então saiu da sala e voltou para seus serviços.

_ 𝗖𝗵𝗮𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗢𝗻 _

Melissa: Alô?

Madson: Melissa? Sou eu. Preciso falar com você.

Melissa: Estou ouvindo.

Madson: Não por aqui. Me encontre no hotel Palace em 20 minutos. Lily também vai. É urgente.

Melissa: Estarei lá.

_ 𝗖𝗵𝗮𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗢𝗳𝗳 _

Então ela desligou com a mesma rapidez que deixou a mensagem. Admito que estava com uma pulga atrás da orelha quanto a esse suposto encontro das irmãs Thorston, mas sei que Madson não recorreria a mim se não fosse urgente.

Levantei-me do sofá e peguei um grande casaco bem como as chaves do meu carro e comuniquei a Marie que iria sair e pedi a ela que avisasse a Robert caso eu não estivesse em casa quando ele chegasse.

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Assim que cheguei ao hotel passei na recepção e recebi a informação de que meu check-in havia sido feito no quarto 311. Um dos atendentes me guiou até lá e ao entrar no quarto me deparei com Lily e Madson. A mais velha estava sentada na borda da cama aparentemente tão confusa quanto eu, já a segunda, estava de pé com as costas encostada em uma escrivaninha e com uma taça de vinho tinto nas mãos.

Madson: Melissa! Ainda bem que chegou. É melhor se sentar. Temos muito o que conversar.

Sentei-me ao lado de Lily e ambas olhamos para Madson que puxou uma cadeira e sentou-se de frente para nós. Seu semblante estava agitado e ela parecia atordoada.

Lily: O que aconteceu, Madson? - A do meio suspirou pesadamente.

Madson: Isso vai ser um pouco difícil de dizer. Se lembram que o Liam anos atrás disse ter se envolvido com uma garota?

Melissa: Isso aconteceu semanas depois do papai morrer, não foi?

Madson: Sim. Pois é, eles se casaram.

Lily e Melissa: O quê!? - Lily e eu exclamamos nossa surpresa ao mesmo tempo.

Melissa: Como ele se casou sem avisar ninguém?

Lily: Você sabia disso?

Madson: Até hoje de tarde, não.

Lily: E como sabe disso agora?

Madson: Ele entrou em contato comigo hoje. Disse que a esposa morreu e que foi assassinado. Ele disse que recebeu um aviso de alguém que se auto denominava o "Feio".

Lily: Não pode ser. Ele morreu! Nós todos vimos.

Engoli em seco e deixei meus pensamentos tomarem conta ao me lembrar do que Robert e Maryse disseram sobre a possibilidade de o Feio ter matado Delphin.

Madson: Melissa?

Levantei o olhar e encontrei os de minha irmã. Madson era minha irmã gêmea e apesar da diferença de idade e aparência, éramos muito próximas quando mais novas e éramos capazes de saber exatamente o que a outra estava sentindo só de olhar.

Melissa: Acho que Robert tem razão. Acho que ele não morreu. E acho que a morte da esposa do Liam e dos filhos do Robert com a Maryse são um aviso. Um aviso de que ele está vindo atrás de nós. - Olhei para as duas e tentei transpassar minha seriedade e preocupação.

Tudo ficou em silêncio enquanto nós três tentamos absorver tudo aquilo. Isso até ambas escutarmos um ruído vindos de dentro do banheiro.

Madson que estava a minha frente olhou para alho atrás de mim e de Lily e rapidamente arregalou os olhos em sinal de espanto e antes que ela tivesse tempo de falar algo, senti algo batendo com força em minha cabeça e de repente meu corpo inteiro ficou mais leve e logo minha visão escureceu.
12

| 𝗔 𝘃𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 |

12. | 𝗔 𝘃𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 |
— 𝐑𝐎𝐁𝐄𝐑𝐓 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

| 𝟎𝟖:𝟒𝟎 𝐩𝐦 |

Uma vez em casa, estranhei o fato de Melissa não estar presente, mas logo fui informado por Marie que a mesma havia saído a pouco.

Caminhei então até meu escritório, aquele que um dia pertenceu ao meu pai e eu admito, jamais pensei que um dia seria meu.

Me ocupei em assinar alguns contratos da Leblanc's Enterprise antes de ser repreendido por Logan por estar enrolando demais com isso.

Os meninos estavam jantando e podia ouvir suas risadas mesmo a uma certa distância. Era bom vê-los assim. Felizes. Era bom também saber que estavam se encaixando.

Tudo parecia calmo, até receber uma ligação de Richard.

_ 𝘾𝙝𝙖𝙢𝙖𝙙𝙖 𝙊𝙣 _

Robert: Alô?

Richard: Robby. Sou eu. Melissa tá em casa?

Robert: Não. Ela saiu tem um tempo. Por quê?

Richard: Madson também não voltou pra casa. Kate e as irmãs estão aqui em casa tem uns minutos. Elas disseram que a mãe saiu e até agora não retornou. Também não atende o celular.

Robert: Acha que estão juntas?

Richard: Eu espero que sim. Achei melhor te ligar para ter certeza. Eu não quero te preocupar mas acho que aconteceu alguma coisa.

Robert: Eu não quero nem perguntar mas... tem um motivo em particular?

Richard: Ele mandou um recado. Uma rosa vermelha com uma carta dizendo: "elas são apenas as primeiras".

Suspirei profundamente e fechei meus olhos por uma fração de segundos.

Robert: Tá. Eu quero que faça o seguinte: traga o Chris e as meninas até a sede. Vou ligar para o Tom, Jack e a Eleanor. Se aconteceu alguma coisa eles tem que saber.

Richard: E o Logan e a Maryse?

Robert: Logan tá em reunião. Vou ligar agora pra ele e pedir para buscar a Maryse no caminho.

Richard: Tá. Chego aí em alguns minutos.

_ 𝘾𝙝𝙖𝙢𝙖𝙙𝙖 𝙊𝙛𝙛 _

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Em questão de minutos, quase uma hora, Richard, Tom, Jack e Eleanor já estavam presentes na casa com seus filhos. Suas expressões confusas e curiosas eram claras e eu só poderia imaginar o tipo de reação que teriam à seguir. Maryse e Logan foram os últimos a chegar,.

Robert: Bom... — Olhei fixamente para meus amigos que se encontravam em pé próximos à lareira. — vocês querem falar ou eu falo?

Nemhum dos quatro parecia inclinado a dar o primeiro passo e devido a suas bocas entreabertas, braços cruzados, postura defensiva e olhar distante, eu só podia presumir que eles estavam com medo. Todos eles. Obviamente não iriam admitir isso para os filhos, mas eu sabia. Assim como Logan e Maryse. Eles tinham medo de jogar os filhos contra a parede e as consequências que viriam a seguir assim que a verdade que escondiam a anos fosse revelada.

Ruby: Será que alguém aqui pode falar o que tá acontecendo?

Olhei para a filha mais nova de Lily que ainda estava tomada pelo nervosismo, assim como seus amigos. Puxei então poltrona e me sentei no centro deles.

Robert: Eu queria que houvesse um outro método de dizer isso mas não tem... Lily, Madson e Melissa foram sequestradas, ao que tudo leva a crer.

O silêncio se instalou no ambiente. Ninguém ousou falar algo. Olhei para as três garotas Hofferson e para Chris e notei suas expressões pálidas. Até que o garoto Carson finalmente falou.

Chris: E o que estamos fazendo aqui então? Por que não estamos procurando elas?

Arthur: Eu sou o único aqui que acha que tem algo a mais envolvido?

Dylan: Mãe? – Eleanor olha para o filho ainda incapaz de emitir qualquer som. — Por que nos trouxeram aqui?

Vitor: Pai?

Todos detinham a mesma expressão. De curiosidade, nervosismo e algo que eu também sentiria se estivesse em seus lugares... desconfiança.

Jack: Somos membros da máfia russa.

Jack por fim soltou a bomba.

Todos os oito jovens ficaram pasmos. Não sabiam o que dizer e estavam imóveis.

Courtney: C–como?

Maryse: Fazemos parte da máfia Russa desde que nascemos. Isso inclui seus pais. Vocês teoricamente também são membros de sangue, apesar de terem crescido longe de tudo isso.

Kate: Nossa mãe... uma mafiosa? — Os olhos negros da garota só enfatizaram sua descrença.

Logan: Não apenas a sua mãe, querida. O seu pai também era.

Vitor: E o que aconteceu?

Tom: Vinte e oito anos atrás aconteceu. Houve um acidente horrível envolvendo uma amiga nossa.

Maria: Que tipo de acidente?

Robert: Ela se matou.

Eleanor: Não queríamos que vocês crescessem nesse meio então saímos. Com a benção do antigo rei, Wilhelm Leblanc.

Arthur: Leblanc? Então isso quer dizer...

Robert: Que eu sou o chefe. E meus filhos são os herdeiros diretos.

Vitor: Então eles também fazem parte de tudo isso?

Maryse: Sim, eles fazem. Mas diferente de vocês não tiveram escolha. Isso inclui contar a verdade para vocês.

O silêncio mais uma vez tomou conta da sala enquanto os jovens absorviam tudo isso.

Maria: Em pensar que você nos fez odiar o papai porque ele fazia parte de uma ceita quando você fazia parte de uma máfia. — A garota Olga para a mãe com indignação e decepção.

Eleanor: Maria...

A morena não dá tempo para sua mãe tentar se explicar e levanta rapidamente de seu acento caminhando até a porta com passos firmes.

Dylan: Devia ter contado. Papai já não nos magou o suficiente?

Seguindo os passos da irmã, Dylan é o próximo a sair.

Richard: Isso não devia ter acontecido assim. — Richard murmura e logo é fitado pelo olhar também magoado do filho.

Chris: E como exatamente deveria, pai? Quando vão se cansar de guardar segredos?

Chris é o próximo a passar pela porta, seguido de Arthur e Vitor que olham brevemente para os pais com remorso.

As três irmãs são as únicas a permanecer. Provavelmente porque ao contrário de Chris e Layla, elas não tinham mais ninguém além da mãe.
13

| "𝗘𝘂 𝘀𝗶𝗻𝘁𝗼 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼..." |

13. | "𝗘𝘂 𝘀𝗶𝗻𝘁𝗼 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼..." |
— 𝐇𝐀𝐑𝐑𝐘𝐒𝐎𝐍 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

| 𝟎𝟗:𝟓𝟎 𝐩𝐦 |

Enquanto a conversa acontecia dentro do escritório de meu pai, meus irmãos e eu aguardamos o fim da mesma no corredor.

Nemhum de nós se atreveu a entrar pois sabíamos que os cachorros seriam soltos muito em breve.

Layla estava preocupada com Melissa, assim como todos nós, mas tentava focar sua atenção em Max que rastreava sua última ligação para saber onde a mesma se encontrava.

Minha irmã era extremamente habilidosa e inteligente quando se tratavam de computadores e sua calma e paciência a ajudavam muito com isso.

Ouvi a porta da sala se abrir e revelar uma Maria extremamente chateada — e não é pra menos. — passar pelo corredor como um furacão. Seu irmão Dylan foi o próximo a sair, seguido de Chris, Arthur e Vitor.

Nemhum deles notou nossa presença bem no final do corredor, acho que até foi melhor assim. Já estavam bem magoados.

Mesmo assim, havia algo gritando dentro de mim dizendo que deveria ir ver como Maria estava e quando me dei conta já estava me afastando de meus irmãos e seguindo em sua direção.

A encontrei sentada no chão perto da escada e rapidamente notei seus olhos vermelhos. Ela notou minha presença mas continuo abraçando os joelhos.

Sentei-me ao seu lado e permaneci em silêncio, dando espaço somente para suas lágrimas.

Maria: Minha vida é uma mentira, Harry. — Sua voz estava embargada e eu podia ver sua garganta engolir em seco.

Harry: Eu sinto muito. – Soltei um suspiro pesado. — Eu sinto muito por não ter te contado. Só... não cabia a mim contar.

Maria: Tem razão. Cabia a minha mãe. — Seu tom de voz estava mais seco e eu olhei profundamente em seus olhos agora tristes e com uma pontada de raiva. — Meu pai é um canalha que preferiu uma ceita a sua própria família. Quando ele saiu de casa, minha mãe prometeu que nunca teríamos segredos uns dos outros. Ela me provou isso quando começou a sair com o Jack. Pensei que era verdade.

Harry: Eu não sou a Eleanor pra te dizer os motivos dela mas sei que o maior deles foi para que você e o Dylan estivessem em segurança.

Seus olhos finalmente encontram os meus e pude ver a apenas alguns centímetros de distância a vermelhidão e as lágrimas acumuladas.

Maria: Harry... eu quero saber a verdade. Toda a verdade. Pode fazer isso por mim?

Olhei seus olhos tristes e intensos. Eu podia facilmente dizer que não e que ela deveria resolver isso com a mãe, mas tenho passado os últimos meses em agonia tentando decifrar todos os enigmas que me atormentam, então sei exatamente o que ela está passando.

Harry: Tá bom. Por onde quer que eu comece?

Pude ver que seus olhos castanhos se iluminaram quando concordei em ajudá-la.

Ainda não era capaz de entender essa força que emanava de Maria Coulthy e que me fazia confiar quase que cegamente nela mas assim eu fiz.

Ela tem se tornado uma grande amiga e talvez eu nunca tenha parado para perceber o quanto precisava de uma.
14

| 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮 |

14. | 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮 |
— 𝐈𝐒𝐀𝐁𝐄𝐋𝐋𝐀 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Esperei alguns minutos depois que Arthur saiu da sala para ir até ele. Só podia imaginar o quanto ele estava bravo comigo, com seu pai e com todo mundo. Eu sei porque também estaria.

O encontrei sentado no parapeito de uma janela enquanto fumava um cigarro e olhava para o céu estrelado. Chris estava com ele e para a minha surpresa saiu assim que me viu.

Arthur apenas fechou a cara enquanto o Carson me lançou um pequeno sorriso e murmurou um "boa sorte" ao passar por mim.

Me aproximei do Peterson ainda com a incerteza me correndo por dentro. Sentia meu coração martelar em meu peito mas reuni coragem e me sentei junto à ele no parapeito da janela.

Bella: Olha, me... me desculpa.

Arthur: Por mentir pra mim ou por acobertar meu pai?

Bella: Eu nunca menti.

Arthur: E do que você chama isso então? Porque eu chamo de mentira. Você me enganou, Bella. Desde o dia em que nos conhecemos.

Bella: Você tem todo o direito de estar bravo e eu entendo. Mas precisa entender que não cabia a mim te contar isso. Seu pai escolheu sair e te criar longe disso. Era direito dele contar.

Ele apenas revira os olhos e vejo a fumaça sair de sua boca.

Arthur: Eu só preferia que tivesse sido honesta comigo desde o começo. Não sobre o meu pai e sim sobre você. — Seus olhos me fitam com intensidade.

Bella: Então agora a culpa é minha?

Arthur: Em parte sim.

Bella: Será que pode se colocar no meu lugar? — Minha voz sai um pouco elevada. — Não se chega para o cara de quem você gosta e simplesmente diz que é a princesa da máfia russa.

Senti meu rosto ruborizar devido a pequena raiva que senti por uma fração de segundos e ele ficou em silêncio absorvendo tudo.

Arthur: Eu me abri com você... de uma forma que nunca tinha feito com ninguém. — Sua voz sai baixa e embargada, como uma faca atravessando meu peito. — Isso não devia valer de alguma coisa?

Bella: E vale. — Ele desvia seu olhar novamente para o céu. — Eu sinto muito. — Murmurei.

Arthur: Eu também sinto. Porque pensei que você era diferente. — Seu olhar estava frio, sério e distante.

Bella: Então não confia mais em mim, é isso? — O vi engolir em seco e olhar para mim com uma seriedade que eu nunca havia visto antes.

Arthur: Você quebrou minha confiança, Bella. Eu entendo não querer expor o meu pai mas devia ter me contado a verdade sobre você e a sua família desde o começo. — Fechei os olhos rapidamente já os sentindo arder.

Bella: Por que não vai embora se eu sou um monstro?

Arthur: Finalmente. Concordamos em algo.

Ele então se levanta e saí como um tornado.

Senti minha mãos tremendo e meu coração agora batia mais forte no peito. As lágrimas que eu tanto lutei para segurar agora escorriam lentamente.

Não poderia permitir que ninguém me visse naquele estado então tentei ao máximo engolir qualquer resquício de choro.

Vi um lenço branco em minha frente e ao erguer meu campo de visão vi Chris parado em minha frente com um olhar de pena.

Peguei o lenço e sequei minhas lágrimas enquanto o Carson sentou-se ao meu lado.

Chris: Olha, eu sei que não parece no momento, mas ele vai voltar. Só... deixa ele esfriar a cabeça. Eu sei exatamente o que ele tá passando agora e te digo que não é legal saber que as pessoas mais próximas à você estavam mentindo durante todo esse tempo.

Bella: Obrigada, Chris. Mas não devia estar com ele agora? É seu amigo afinal.

Chris: Você também é. Faria isso por qualquer uma das minhas amigas. Pergunta pra Maria. — Esboçei um sorriso e o vi levantar. — Vai ficar bem?

Bella: Vou.

Chris então me deixou sozinha e foi atrás de Arthur, talvez para ter a mesma conversa que teve comigo.

Não sei quanto tempo fiquei alí imersa em minha solidão particular. Me perguntava o que teria sido isso? Apenas tivemos uma briga? Demos um tempo? Ou terminamos pra valer?

Seja qual for a resposta, sei que Arthur não vai querer me ver nem pintada de ouro por essa noite.
15

| "𝗦𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗳𝗼𝗶 𝗱𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗮..." |

15. | "𝗦𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗳𝗼𝗶 𝗱𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗮..." |
— 𝐌𝐀𝐗𝐈𝐍𝐄 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Em um momento estávamos todos reunidos em um corredor vazio enquanto eu rastreava uma ligação até um hotel não muito distante e não levei muito tempo para descobrir que uma reserva havia sido feita por Madson Carson.

Layla que antes fungava em meu pescoço curiosa e apreensiva por sua mãe e tias agora já se encontrava como um furacão no escritório de nosso pai para contar tudo o que descobrimos.

Levantei-me ao receber uma mensagem de Jeremy dizendo que estava em seu quarto e que queria conversar.

Passei reto pelo corredor e antes que pudesse subir as escadas para o andar de cima, ouvi vozes vindas da sala de lazer e as reconheci como sendo de minha mãe e Jason.

Jason: Acabei de deixar uma mensagem para o seu marido. Parece que ele não está com a agenda cheia como Melissa havia dito.

Maryse: Tem razão. Mas isso não é da sua conta.

Jason: Sempre foi da minha conta. Mas eu não sabia disso até recentemente.

Maryse: Jason, Melissa está desaparecida. Tem certeza de que essa é abordagem correta?

Jason: Depende de como olha para ela, Sra. Leblanc. Trata-se de contar a verdade. Se quiser continuar negando, fique à vontade. Eu não vou a lugar nenhum.

Então, como um estalo tudo volta à tona. Estou novamente naquele quarto despreocupada na companhia de Delphin.

— 𝙁𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 𝙊𝙣 —

𝗖𝗲𝗿𝗰𝗮 𝗱𝗲 𝟭 𝗮𝗻𝗼 𝗮𝘁𝗿á𝘀...

Delphin e eu estávamos em seu quarto enquanto eu fazia seu trabalho de física e em troca ele me pagaria um bom dinheiro.

Delphin: Ok. Pronta? Um cara na Alemanha entrou em um site de namoro e colocou um anúncio por alguém que ele poderia matar e comer. — O loiro fita a revista em suas mãos com descrença.

Max: Credo!

Delphin: É sério. Ele recebeu 220 respostas.

Max: Por que essas mulheres acham que conseguem mudar um cara? — O mais velho solta uma risada com meu com meu comentário mas logo volta sua atenção para seu celular que apita com uma nova mensagem. Observo seu maxilar se contrair e sua expressão antes risonha agora estar séria. — Ei! — Ele volta sua atenção para mim como se tivesse sido tirado de um transe. — Tudo bem? É alguma das suas ficantes?

Delphin: Você não é nova demais pra saber dessas coisas? — Ele arquea um das sobrancelhas e eu apenas dou de ombros.

Max: Tenho quatorze anos e faço quinze em uma semana.

Delphin: Foi o que eu disse... nova demais pra isso.

Max: Quantos anos tinha quando começou a sair com garotas? — Ele morde a língua e depois mente na cara dura.

Delphin: Bem mais velho do que você.

Max: Mas sério, tá tudo bem mesmo? Você anda estranho e já tem alguns meses.

Delphin: Tá. É só que... já guardou um segredo tão grande que você sabe que vai colocar alguém em perigo e ao mesmo tempo se contar vai ser ainda pior?

Olhei para ele com as sobrancelhas franzidas e sem entender absolutamente nada do que acaba de sair de sua boca.

Max: Como é?

Delphin: Deixa pra lá. — Nossa atenção se volta para a voz alta e nada calorosa de nossa mãe que parece estar gritando com alguém ao telefone. — O que tá acontecendo alí? — Delphin olha para mim com curiosidade.

Max: Nada demais. — Dei de ombros. — Ela só tá chateada.

Delphin: Com o quê?

Max: Jason deu uma carona pra Luna ontem e o Carter pegou os dois quase se beijando no carro.

Delphin: Como? — A surpresa em sua cara era quase palpável. — Jason e Luna? Por essa eu não esperava.

Delphin se levantou da cama com um sorriso sarcástico no rosto e sem preocupação por saber que Jason não era uma ameaça em potencial.

Max: Eles estão exagerando. Luna só tem olhos para o Nate. Ela nem gosta do Jason. — Vejo sua expressão mudar ao escutar algo durante a conversa e ele rapidamente fecha a porta.

Delphin: É melhor mesmo que ela não goste. Na verdade, é bom que nenhuma de vocês goste.

Max: Como assim? — Perguntei confusa enquanto ele apenas deu de ombros.

Delphin: Digamos que essa seria uma relação desaprovada por Deus.

— 𝙁𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 𝙊𝙛𝙛 —

Retornei para a realidade após ouvir risos masculinos altos e só então me toquei que essa casa estava lotada de pessoas.

Fui invadida por uma pequena dor de cabeça e subi as escadas com pressa antes que minha mãe ou Jason soubessem que eu estava escutando a conversa.

Agora mais do que nunca eu precisava tirar essa história a limpo.
16

| "𝗩𝗼𝗰ê 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗼𝘂..." |

16. | "𝗩𝗼𝗰ê 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗼𝘂..." |
— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Esperei minha mãe sair de seu escritório e quando a vi conversando com Jack Peterson foi que eu tive certeza de que o ambiente estava seguro.

Vasculhei muitas gavetas sem saber exatamente o que estava procurando até encontrar um registro bancário. Especificamente, um registro feito pelo meu pai no valor de 500 rublos por uma câmera de segurança.

Me lembrei de Harry comentar a respeito e só então me dei conta de que isso se tratava de Jason.

Sempre foi pelo Jason.

A lembrança de Delphin, o registro bancário e a bronca por ter me excedido no Desafio do Coiote só apontavam para uma coisa... meu pai estava protegendo Jason Bass. E eu tinha que descobrir o porquê.

Vasculhei mais um pouco até encontrar um outro registro bancário, dessa vez feito pelo meu tio. Datado no ano de nascimento do Jason.

Juntei todas as peças do quebra-cabeça e então me toquei de algo que eu preferia não acreditar.

Precisava falar com Jason.

Saí da sala ainda com cautela e procurei pelo Bass em cada cômodo possível. Finalmente o encontrei sentado na fonte na entrada da cama.

Uma vez do lado de fora, senti a brisa fria da noite e um arrepio percorreu a minha espinha.

Me aproximei do loiro com cautela e admito, com receio. Seus olhos se voltaram para mim assim que sentiu a minha presença e eu o vi relaxar por perceber que se tratava apenas de mim.

Max: Jason... preciso perguntar uma coisa. — Sentei-me junto à ele e a única coisa que eu podia ouvir era o som forte da água escorrendo.

Jason: O que foi, Max?

Max: Preciso que seja sincero. Por favor. — Seus olhos estavam fixos em mim com atenção. — Você... você voltou porque... meu pai... é seu pai também?

O silêncio pairou e Jason abaixou o olhar para a água cristalina antes de voltar sua atenção à mim de novo.

Jason: Quem te contou?

Max: Delphin. No ano passado. Mas eu só... mas eu só entendi hoje.

Jason: É melhor voltar pra dentro, Max. Sua família precisa de você agora.

Max: Qual delas?

Jason permaneceu em silêncio e eu rapidamente me levantei antes que me permitisse demonstrar mais emoção.

Uma vez do lado de dentro procurei refúgio encostando as costas na parede fria daquela fortaleza. Senti meu celular vibrar em meu bolso e ao pegá-lo pude notar que se tratava de um número desconhecido.

— 𝗠𝗲𝗻𝘀𝗮𝗴𝗲𝗻𝘀 𝗢𝗻 —

D/C: Não se preocupe, Maxie, somos todos família aqui. Uns mais do que outros.

— 𝗠𝗲𝗻𝘀𝗮𝗴𝗲𝗻𝘀 𝗢𝗳𝗳 —

Não tive muito tempo para analisar quem poderia ter me enviado aquela mensagem já que estava rodeada de pessoas e recebi uma mensagem de Jeremy dizendo que estava me esperando para conversar.

Respondi meu irmão dizendo que não poderia falar com ele agora porque antes precisava resolver algo.

Ele apenas concordou e disse que eu deveria avisá-lo quando estivesse disponível.
17

| "𝗜𝘀𝘀𝗼 𝗺𝘂𝗱𝗮 𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝘁𝗼𝗱𝗮..." |

17. | "𝗜𝘀𝘀𝗼 𝗺𝘂𝗱𝗮 𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝘁𝗼𝗱𝗮..." |
— 𝙌𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖 𝙙𝙚 𝙩𝙚𝙢𝙥𝙤 —

Levei alguns minutos até controlar parcialmente minhas emoções, mas a raiva ainda me consumia quase que por completo.

Procurei meu pai em seu escritório mas apenas encontrei minha mãe com Richard, Jack, Tom e seus respectivos filhos.

Max: Preciso falar com você. — Aproximei-me da mulher seriamente e ela estava mais concentrada no rastreamento que Vitor fazia no celular de Madson, Lily e Melissa.

Maryse: Max, será que pode esperar?

Max: Eu sei sobre o Jason. — Seus olhos azuis finalmente me encaram e ela pela primeira vez na vida fica pálida. — E nem adianta negar porque ele já me confirmou.

Minha mãe olhou de relance para os homens presentes na sala que nem sequer ousaram pronunciar uma única palavra.

Senti sua mão segurar firme em meu braço e me arrastar até a sacada, onde pudéssemos discutir sem plateia.

Maryse: Será que podemos ter essa conversa em outro lugar?

Max: Por que eu sou a última a saber? — Ignorei completamente seu pedido por saber que era apenas uma desculpa de se esquivar do assunto.

Maryse: Não é. Seus irmãos também não sabem.

Max: O quê? Como puderam esconder isso da gente? Como conseguiram viver ao lado deles durante todos esses anos?

Maryse: Eu não sabia. Eu não sabia até o Jason ser quase adulto. Só foi quando o Jeremy disse que a Alison estava grávida que discutimos isso.

Max: Discutiram o quê? Como iam contar pros seus filhos que o nosso pai saia pra caçar com o filho que morava na casa ao lado?

Maryse: Entendo que se sinta confusa e traída. Também me senti assim. Ainda me sinto as vezes. Mas eu tive que superar.

Max: Como?

Maryse: Toda família tem segredos, Maxine. Se eu soubesse disso antes, teria tomado outra decisão, e você não estaria aqui.

Max: Como consegue agir tão naturalmente? Estamos falando de uma relação que aconteceu enquanto vocês ainda eram casados. — Minha mãe suspira e fecha os olhos por uns segundos antes de voltar a me encarar.

Maryse: Acredite, é uma longa história e se quiser saber em detalhes pergunte ao seu tio. Mas precisa saber que seu pai não fazia ideia da real paternidade do Jason até descobrir que a Alison estava grávida.

Max: Como assim não sabia? — Franzi o cenho confusa.

A mulher de cabelos negros olhou mais uma vez para os homens presentes que estavam bem atentos à nossa conversa mas que tentaram em vão disfarçar assim que ela olhou em suas direções.

Maryse: Maxine, isso não vai mudar nada.

Max: Mãe, isso muda a coisa toda. — Meu tom de voz saiu um pouco mais alto do que deveria.

Maryse: Max, por favor, vamos discutir isso em casa.

Max: Que casa? A sua? A do papai? Ou a deles? — Minha mãe ficou em silêncio e essa era a sua forma de mostrar que estava errada mesmo que indiretamente. — Que palhaçada!

Olhei para ela com a raiva estampada em cada traço do meu rosto antes de me virar e sair daquela sala como um tornado no meio da tempestade.

Meu coração martelava com força contra meu peito e eu podia sentir o sangue em minhas veias ferver. Meu rosto estava queimando e eu não sabia o que fazer ou com quem falar. Nem sei ao certo se queria.

Mas conhecia um lugar ao qual poderia ir.
18

| "𝗣𝗿𝗮 𝗮𝗹𝗴𝘂é𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗳𝗮𝗹𝗮..." |

18. | "𝗣𝗿𝗮 𝗮𝗹𝗴𝘂é𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗳𝗮𝗹𝗮..." |
| 𝟏𝟏:𝟎𝟎 𝐩𝐦 |

Uma vez sentada naquele balanço de madeira enquanto fumava um cigarro, pude finalmente permitir que meus músculos relaxassem.

Estava com um turbilhão de pensamentos.

Entre o "depoimento" vulgo interrogatório, a briga com Jeremy e a revelação da carta, a descoberta de Jason e o desaparecimento de Melissa, tudo ao meu redor parece estar enclodindo.

Tentei dissipar esses pensamentos enquanto inalava em meus pulmōes o conteúdo nada saudável que vinha daquele pequeno papel redondo.

O levei até a boca e inspirei profundamente, soltando toda a fumaça logo em seguida. Junto à ela, meus pensamentos mais confusos.

Ouvi passos se aproximarem e rapidamente abanei a fumaça que acabará de se espalhar pelo ar com a mão. Pigarreio antes de curvar a cabeça e me deparar com Travis.

Senti um sorriso torto tomar conta de meu rosto enquanto o mais velho apenas balançava sua cabeça em sinal de desaprovação.

Travis sentou-se no banco ao lado e logo levou o cigarro ao qual eu fumava a boca e fez o mesmo procedimento.

Max: Vi você com a Courtney. O que tá rolando?

Travis: Anda me espionando? — Soltei uma risada nasalada.

Max: Você precisaria ser mais interessante pra valer a pena te espionar. — Ele curva o canto da boca em um sorriso.

Travis: Só nos beijamos algumas vezes. Tem alguma coisa nela que me atrai como nunca me atraiu antes. — Seu olhar se distanciou e só pude presumir que o mesmo estava pensando na garota.

Max: Travis? Tá apaixonado? — Franzi as sobrancelhas e ele negou com a cabeça.

Travis: Acho que esse cigarro tá afetando demais a sua cabeça.

Max: Ou talvez você esteja mentindo pra si mesmo. — Tomei o cigarro de sua mão e o levei a boca.

Travis: Sabe? Pra alguém que nunca fala nada você repara demais nas coisas.

Max: O que posso fazer? É o meu jeito de ser. Mas se não quer falar da Hofferson, quando começa na Academia?

Travis: Essa semana.

Max: É por isso que encontrei pedaços de um desenho seu na lareira?

Travis: Os desenhos no caderno de rascunho eram pessímos por isso os queimei.

Max: Acho que é por isso que se chama caderno de rascunhos. — Lancei-lhe um olhar sarcástico.

Travis: Maxie...

Max: Se gosta de desenhar e acha que não é bom o suficiênte então pratique. Contrate um professor particular ou faça aulas extras. Se você quiser o céu e a lua, tudo o que precisa fazer é sair e apontar para o céu. Pra mim não é assim.

Travis: Se refere ao seu debute iminente em poucos meses? — Meu irmão esboçou um sorriso torto para me provocar.

Max: Sabe o que vem junto com isso, não é? Bailes e mais bailes. Vestidos espalhafatosos só pra mostrar à eles que sou digna de ser uma princesa da máfia. E o pior de tudo, contratos de casamento com outras máfias.

Travis: Sei que se preocupa com isso. E com o Alec quase noivo e o Jeremy casado, podemos respirar um pouco. Além disso, fique sabendo que jamais vai sequer namorar alguém sem o meu consentimento, está me ouvindo?

Seu tom protetor e autoritário me fizeram esboçar um sorriso tranquilo.

Nunca quis um namorado ou parceiro. E agora que tenho 16 essa tarefa tem sido ainda mais difícil.

Ter tantos irmãos homens era um alívio nesse sentido, já que eles faziam qualquer um tremer na base.

O mais próximo que cheguei de me envolver romanticamente com alguém foi com Chuck Bass e hoje saber que temos o mesmo irmão me causa ânsia de vômito.

Ninguém nunca soube do que houve naquela noite entre nós dois e que perdemos a virgindade um com o outro.

Era o funeral do meu irmão e naquele momento eu descobri que misturar álcool com cigarro e ficar sozinha em um quarto com um garoto que já estava doido pra perder o cabaço não foi uma boa ideia.

Não me lembro claramente dos acontecimentos e ele também não. Se tornou o nosso segredo e o fato de confiar no Bass era o que me mantinha tranquila.

Travis e eu fomos retirados de nosso momento de cumplicidade — algo que tem se tornado bastante recorrente. — por notificações em nossos respectivos celulares.

Senti um arrepio percorrer minha espinha pois havia me recordado da mensagem que recebi a poucos minutos e não tive tempo para pensar sobre isso.

Suspirei aliviada ao perceber que era apenas uma mensagem da Layla no grupo dos irmãos solicitando a presença de todos os irmãos no escritório da Melissa agora mesmo.
19

| "𝗢 𝗷𝗼𝗴𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗼𝘂..." |

19. | "𝗢 𝗷𝗼𝗴𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗼𝘂..." |
— 𝐉𝐄𝐑𝐄𝐌𝐘 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Fiquei um pouco apreensivo com a demora de Max em aparecer e nervoso sobre o que teríamos de falar.

Sei que devia um pedido de desculpas mas não queria envolver minha irmã em problemas.

Tentei manter todos eles longe sobre qualquer coisa relacionada ao Delphin desde que recebi aquela carta.

Se meu irmão sabia que ia ser morto, será possível que essa pessoa estava tão perto ao ponto de descobrir caso algum de nós descubra sua identidade?

Meus pensamentos foram cessados pela mensagem de Layla solicitando uma pequena reunião apenas entre os irmãos no escritório de sua mãe.

Alison: Onde você vai?

A loira que acaba de sair do banho e agora estava com o corpo coberto por um robe e o cabelo molhada me analisa com curiosidade.

Alison e eu ainda estamos nos adaptando a vida de casados. Foi um grande alívio quando sua mãe ofereceu o loft que fica na propriedade Bass como presente de casamento. Mesmo assim, o lugar não era habitado desde que o Casey passou a trabalhar para nós, então o encanamento era algo precário no momento. Por sorte podíamos vir em qualquer uma das residências da minha família para desfrutar de um banho digno.

Jeremy: Meus irmãos querem conversar. Provavelmente tem algo haver com a Melissa.

Alison: Como a Layla está?

Jeremy: Ela vai ficar bem. Só anda um pouco nervosa e ansiosa mas não é nada que não possa lidar. Enquanto isso, — Aproximei-me dela com um sorriso maroto nos lábios e abracei sua cintura. — o que acha de darmos a nóticia sobre os gêmeos assim que acharmos a Melissa? Acho que vai ser bom para acalmar os ânimos.

Alison: Eu acho ótimo.

Seus lábios tocaram os meus com delicadeza e passei minha língua por seus lábios rosados. Alison segurou em minha nuca para intensificar mais nosso beijo e concedi permissão para que sua língua explorasse minha boca como quisesse.

Fomos abruptamente interrompidos por batidas fortes na porta, seguidos de uma voz impaciênte.

Layla: Jeremy! Lá em baixo agora! Eu não quero saber se o que você e a Alison tanto fazem nesse quarto, mas quero você lá em baixo em menos de cinco minutos.

Jeremy: Já vou, Layla.

Observei sua sombra desaparecer pela fenda da porta e deu lugar à risada calorosa de Alison.

Alison: É melhor você ir logo. Antes que sua irmã entre aqui com uma arma.

Sorri imaginando a cena cômica.

Alison tentou se afastar para vestir suas roupas mas eu a puxei para mais um beijo antes de sair e gritei da porta.

Jeremy: Linda! Eu sou completamente apaixonado e doido por você, Alison Clotilde Bass Leblanc!

Gritei alto o suficiente para a casa inteira ouvir e observei as bochechas rosadas de Alison.

Layla: Jeremy!

O grito estridente de minha meia-irmã mais velha foi o bastante para fechar a porta e finalmente descer para ir até o encontro de meus irmãos.

Como sempre, restavam apenas duas pessoas... eu e aquele que é mais atrasado do que qualquer pessoa na face da Terra, vulgo Gregory.

Gregory: Cheguei. — Sua respiração estava ofegante e seu rosto corado, como se ele tivesse percorrido a propriedade inteira até chegar aqui.

Layla: Sentem aí. Precisamos ter uma conversa séria. — Não esitei em atender seu pedido e ficar confortável em uma poltrona. — Fiz uma pesquisa completa nesse escritório pra ver se encontrava algo que nos ajudasse a descobrir o paradeiro da mamãe e eu descobri uma coisa. Lembram da garota desconhecida na foto que achamos? Aquele em que nossos pais estão presentes? — Concordamos com a cabeça. — O nome dela é Selena Trigon e ela é irmã gêmea do misterioso Slade.

Alec: O quê? Tem certeza?

Layla: Absoluta. Não só isso como também descobri que ela se matou na virada da década de 1989 até 1990. Ainda não consegui descobrir o que a levou a fazer isso mas descobri que ela também fazia parte da S. C. A.

Harry: Isso explica o fascínio de Slade por nós. Pensem bem, a irmã dele se matou e fazia parte do grupo de amigos dos nossos pais. Talvez pense que eles tenham alguma culpa.

Robin: E o que garante que realmente não tem? Mentiram pra nós desde que nascemos.

Max: Tem mais uma coisa que precisam saber. — Max que até o momento estava calada e mantinha uma postura neutra com os braços cruzados e o corpo escorado na parede ao lado de Travis se pronuncia. — Jason é nosso irmão.

Todos: O quê?

Luna: Como assim?

Fred: De onde você tirou isso?

Jeremy: Como descobriu isso?

Alec: Quem te falou isso?

A metralhadora de perguntas recaiu sobre minha irmã após soltar essa bomba.

Max: Delphin descobriu isso ano passado. Ele me contou indiretamente. Aí eu dei uma investigada no escritório da mamãe e descobri vários e vários cheques que protegiam o Jason de uma forma nada convencional.

Bella: E você falou com eles sobre isso?

Max: Falei com a mamãe. Mas antes disso Jason me confirmou tudo.

Gregory: Cara... isso explica muita coisa.

Luna: Espera um pouco... se o Jason é filho do nosso pai com a Sra. Bass então quer dizer...

Harry: Que ele continua sendo meio-irmão dos Bass. Ou seja...

Fred: Você e Alison dividem o mesmo irmão.

Não sei exatamente quando mas meu cérebro parecia querer explodir a qualquer momento. Minha respiração começou a falhar e senti um embrulho no estômago.

Robin: Mas não são parentes, né? Esse é um ponto positivo.

O ambiente agora pesado e difícil de se respirar devido as revelações bombásticas deu espaço a três batidas na porta que logo se revelou sendo Casey.

Casey: Desculpem interromper.

Alec: Tá tudo bem, Case.

Casey: Isso estava na porta endereçado à vocês.

Ele entregou um envelope para Layla que fitou o papel com relutância e um nervosismo crescente.

Layla: Obrigada, Casey. Isso me lembra que hoje você está de folga. – Casey olhou confuso para minha irmã. — Vamos passar a noite aqui então não tem com o que se preocupar.

Casey: Uh... eu não sei...

Luna: Por que não vai até o bar ou ao cassino e se diverte um pouco? Tenho certeza de que a semana tem sido bem longa.

Casey suspirou ainda relutante e seu olhar recaiu sobre as quatro garotas presentes.

Casey: Vão ficar bem sem mim?

Bella: Case, qual é? Sabemos nos virar.

Max: É. O que pode acontecer em uma noite?

Casey: Tá bem. Mas é só por essa noite.

Assim que o Drake saiu da sala, formamos uma roda ao redor de Layla para saber o que dizia o envelope.

Travis: O que diz aí?

Layla: "O jogo começou, crianças. Voltem ao lugar onde tudo começou e enfrentem a verdade que seus pais escondem."

Harry: Tem assinatura?

Layla: Não.

Gregory: Como assim o lugar onde tudo começou?

Fred pega o envelope em suas mãos e analisa uma escritura em que informava um endereço.

Fred: Esse lugar fica no topo da colina, segundo as informaçōes.

Alec: Não é aquela casa abandonada que papai sempre nos disse pra ficar longe?

Jeremy: Vocês sabem onde fica? — Os dois morenos concordam com a cabeça. — Ótimo. Quem dirige?
20

| 𝗘𝗻𝗰𝗿𝗲𝗻𝗰𝗮 𝗲𝗺 𝘁𝗿𝗶𝗽𝗹𝗼 |

20. | 𝗘𝗻𝗰𝗿𝗲𝗻𝗰𝗮 𝗲𝗺 𝘁𝗿𝗶𝗽𝗹𝗼 |
— 𝐌𝐄𝐋𝐈𝐒𝐒𝐀 𝐓𝐇𝐎𝐑𝐒𝐓𝐎𝐍 —

| 𝟏𝟏:𝟐𝟎 𝐩𝐦 |

Minha cabeça latejava sem parar e um frio percorria minha espinha. Abri os olhos com certa dificuldade e sentia uma ardência terrível em minha nuca.

Comecei a ouvir vozes distantes e ao abrir completamente as órbitas reconheci de quem se tratavam.

Madson: Liz? Acho que ela tá acordando.

O rosto de Madson estava próximo ao meu e logo pude ver a expressão preocupada da mais velha. Madson estava agachada ao meu lado enquanto Lily permanecia de pé me observando à distância.

Olhei ao redor e percebi que estávamos dentro de um banheiro bem apertado.

Melissa: Onde estamos?

Lily: Pelo barulho de caminhões e motos, em um posto.

Coloquei-me de pé com a ajuda de Madson que fez o mesmo.

Melissa: Quem nos atacou?

Recordei-me aos poucos da última lembrança que tinha antes de apagar e acordar neste lugar.

Madson: O Feio. Robert tinha razão. Ele voltou.

Lily: A pergunta é: por que nos trancou em um banheiro?

Madson: Quer mesmo tentar usar a lógica com um psicopata?

Lily: Ah claro, porque a sua estratégia de partir pra cima dele deu muito certo. — A mais velha provoca a do meio que rapidamente abre a boca para responder.

Madson: Escuta aqui...

Melissa: Ei, ei! — Chamei a atenção das duas antes que saíssem no tapa. — Será que podemos deixar nossas diferenças de lado só por um momento? Estamos presas em banheiro minúsculo e nem sabemos em que cidade ou país estamos. Podemos estar em qualquer lugar. A única coisa que eu sei é que não vamos sair daqui se continuarmos brigando. Combinado? — A loira e a morena morderam a língua e se entreolharam antes de me responder.

Lily e Madson: Combinado.

Melissa: Ótimo. Agora só precisamos arrumar um jeito de sair daqui.

Ambas olhamos para todo o cubículo em que nos encontravamos e procuramos por qualquer janela que pudéssemos passar, uma vez que a porta estava trancada e não havia um jeito sequer de arromba-lá.

Madson: Aí! Tem uma janela aqui.

Ela apontou para a janela localizada atrás de nossas cabeças que dava direto nos fundos do banheiro.

Madson se aproximou e se colocou de pé em cima de um balde de lixo para ficar na altura da janela. Lily e eu apenas nos entreolhamos confusas sem saber o que se passa na cabeça de nossa irmã.

Lily: É... Madson? Não que eu queira te ofender mas... você sabe que não tem mais aquele corpinho de líder de torcida que tinha à 28 anos, né?

Segurei o riso enquanto Madson olhou por cima do ombro com uma carranca para a mais velha.

Madson: Pro seu governo, eu ainda estou em ótima forma, e em segundo lugar, eu não vou passar pela janela.

Melissa: E o que pretende então?

Madson: Bem simples. Sempre tem algum casal jovem com os nervos a flor da pele se pegando atrás dos banheiros.

Lily: Essa é a voz da experiência. — Lily sussurra para mim que solto um riso provocativo seguido da minha irmã.

Madson: Bingo. Eí! Moço? — Madson grita enquanto bate na parede para alguém que está apenas em seu campo de visão. — Estamos presas aqui. Você consegue abrir a porta?

Lily e eu permanecemos aéreas a tudo o que se passa, mas fomos capazes de ver quando Madosn desceu de seu apoio e caminhou até a porta com um sorriso triunfante no rosto.

Antes que alguma de nós pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, ouvi um ruído alto vindo do lado de fora e logo a porta foi derrubada por um garoto de aparentemente uns 20 e poucos anos. Como Madson imaginou, sua namorada não estava muito distante e parecia curiosa com toda a situação.

Madson foi a primeira a sair e se aproximou do jovem casal para agradecer.

Madson: Obrigada hein.

Garoto: Disponha.

Os dois esboçaram sorrisos simpáticos e assim que nós três nos dirigimos para dentro da conveniência, os dois jovens se trancaram dentro do banheiro e continuaram de onde pararam.

Resolvi deixar isso de lado e segui minhas irmãs que já se encontravam dentro do estabelecimento.

O lugar estava vazio, exceto pelo vendedor de meia-idade que atendia o balcão. Seu rosto me pareceu famíliar, e a julgar pelo fato de que ele nos encarava com o cenho da testa franzido, também parecia nos conhecer.

Lily: Oi. Tem algum telefone por aqui?

Jake: O telefone fixo é só para clientes.

Nos entreolhamos instantaneamente e percebemos que nemhuma de nós estava com dinheiro. Nossas bolsas ficaram todas no hotel junto com celulares e cartões.

Melissa: Acontece que estamos sem dinheiro no momento. — Ele deu de ombros e voltou o olhar para a revista que estava lendo. — Passamos por um situação... complicada e precisamos avisar nossos maridos e filhos de onde estamos.

Jake: Como eu disse, o telefone é só para clientes. Então, se não vão comprar nada eu sugiro que procurem outra loja de caridade.

Minhas irmãs e eu rapidamente nos entreolhamos enfurecidas e ao ler o nome Jake Rivers no crachá e ver seu cabelo desgrenahado e os óculos completamente desproporcionais ao rosto me recordei de quem ele era.

Madson parece ter se lembrado também já que sua boca agiu mais rápido do que o cérebro.

Madson: Aí meu Deus! Você é o Jake esquisitão.

O homem olhou para ela com os olhos semicerrados e Lily e eu nos ocupamos de bater em seu braço como repreensão.

Lily e Melissa: Madson!

Jake: É. Sou eu. Me surpreende que ainda lembrem-se de mim. Mas sabem o que é mais surpreendente? Ver a rainha do baile, a capitã das líderes de torcida e a namorada do veterano mais cobiçado do colégio em estado deplorável — Ambas nos entreolhamos e só então me dou conta do quão desarrumada estamos. — entrando na minha conveniência e pedindo para usar o telefone fixo porque estão sem dinheiro. O que foi? Papai cortou a conta bancária das princesinhas?

Madson: Não que seja da sua conta, mas as princesinhas já não são mais bancadas pelo papai a muito tempo. Além disso eu não entendo o motivo de estar sendo tão babaca? Nunca fizemos nada com você.

Jake: Não diretamente, você quis dizer. Já se esqueceu de como as suas líderes de torcida me davam apelidos? Ou de como os gangsters dos seus namorados me atormentavam? Porque eu não esqueci.

Melissa: Então essa é a sua vingança particular? Fala sério! Já somos todos adultos. Éramos sim adolescentes burros que só faziam besteira mas essas pessoas ficaram no passado. — Jake parece ouvir o que estou dizendo mas continua a manter sua postura firme.

Jake: De qualquer forma, não posso ajudar vocês. São regras da empresa, nada de vender fiado. E eu sei que vocês são puro problema.

Lily por fim aproxima seu rosto do de Jake que parece se sentir ameaçado com o ato e vejo minha irmã colocar uma das mãos no balcão e segurar firme.

Lily: Acontece que somos encrenca em triplo. E podemos sim fazer da sua vida um inferno pior do que foi a escola. Olha só, eu não sei como tem vivido sua vida triste e deprimente nos últimos anos, já que se resume a guardar rancor do passado, mas saiba de uma coisa, eu tenho três filhas que devem estar malucas sem mim agora. Se quiser relembrar como fomos malvadas no colégio, tudo bem, mas está agindo igualzinho a nós nesse momento.

Lily dispara como uma metralhadora o que faz com que Madson e eu nos entreolhemos surpresas com sua reação. Jake morde a língua e engole em seco diante da ameaça de minha irmã. Ele por fim solta um suspiro e diz.

Jake: Você tem cinco minutos.

Lily caminha em direção ao telefone fixo atrás do balcão após Jake abrir passagem para ela. Madson continuou a fitar o homem de forma analítica e eu não pude evitar de cutuca-lá por isso.

Madson: Já pensou em usar lentes de contato? Não que eu tenho algo contra óculos mas os seus olhos são lindos demais para ficarem escondidos assim.

Jake: Você acha?

Jake estava com as bochechas vermelhas de vergonha mas escutava os concelhos de Madson com atenção.

Voltei minha atenção para Lily que estava discando um número no telefone e eu só pude presumir ser o de um de suas filhas.

Comecei então a olhar as coisas ao meu redor e notei algo que poderia nos ajudar e muito sobre tudo o que aconteceu essa noite. Uma câmera de segurança na porta da conveniência que dava visão por todo o posto, incluindo o banheiro.

Melissa: Jake? — Chamei a atenção do homem baixo e gordinho que ainda conversava com minha irmã. — Quem tem acesso a essas câmeras de segurança?

Jake: Geralmente o gerente. E você está olhando pra ele.

Madson e eu nos entreolhamos rapidamente e fizemos algo que não fazíamos a anos, trocamos um sorriso torto de canto, quase como se uma pudesse ler a mente da outra.
21

| 𝗔 𝗺𝗮𝗻𝘀ã𝗼 |

21. | 𝗔 𝗺𝗮𝗻𝘀ã𝗼 |
— 𝐇𝐀𝐑𝐑𝐘𝐒𝐎𝐍 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

| 𝟏𝟏:𝟒𝟓 𝐩𝐦 |

O caminho até a mansão foi silêncioso e longo. A casa ficava em uma região de mata distante de qualquer lugar conhecido da cidade.

A propriedade em si, ficava no topo de uma colina próxima a praia e por isso, quando Fred estacionou o carro e todos descemos, meus tímpanos rapidamente foram invadidos pelo som da maré alta e das ondas que quebravam nos rochedos.

Sentia um arrepio em minha espinha e minha intuição dizia para ficar longe desse lugar.

Caminhamos os onze juntos com passos firmes até a porta de entrada. Para a nossa surpresa, a porta estava aberta e o rangido só aumentou o suspense.

Harry: É nessa hora em que todos corremos de medo? — Fiz um comentário sarcástico para amenizar o clima.

Alec passou à frente de todos, logo seguido por Fred e Travis. A porta se fechou com o vento forte o que fez todos nós saltarmos devido ao susto.

Gregory: Ainda não entendo o que estamos fazendo aqui.

Jeremy: Acho que em breve vamos descobrir.

Robin: E se for uma armadilha?

Bella: É sério que só pensou nisso agora?

Max: Por que estamos sussurrando?

Antes que mais alguém pudesse pronunciar uma única palavra, um ruído estranho e o ranger do piso vindos da escada logo a nossa frente fez com que não só os meus mais como os instintos de todos se aflorassem.

O sopro do vento fez nossa atenção se voltar para a porta de entrada que agora já estava bem distante.

Suspirei aliviado ao perceber que não havia nada demais e que tudo não passava do vento forte.

Alec: Tá bem. Estamos em onze. Não conhecemos o lugar e vinhemos procurar algo que nem sequer sabemos o que é.

Layla: Em outras palavras, estamos em uma sinuca de beco.

Alec: Exatamente. Mas eu acho que vamos cobrir uma área maior se nos separarmos. Todos trouxeram suas armas? — Trocamos olhares em concordância. — Ótimo. Gregory, Layla, vocês vem comigo e nós vamos por aqui. — Ele aponta para o lado direito da grande escada. — Fred, Travis, Luna e Harry, vocês vão por alí. — Sua mão agora indica a outra extremidade da escada. — E vocês quatro vão por alí. — O mais velho por fim olha para os quadrigêmeos que seguiriam por uma porta localizada não muito distante de onde nos encontramos. — Vão ficar bem sozinhos? — Ele direciona sua pergunta aos quatro mais novos que apenas se entreolham com sorrisos tortos e concordam com a cabeça. — Eu quero que deixem os celulares ligados e a qualquer sinal de perigo gritem até ficarem sem voz. Entendido?

Jeremy: Claro, pai.

Jeremy passa por Alec com um sorriso provocativo no rosto e meu irmão dá um leve peteleco em sua nuca.

Nos dispersamos tão rápido quanto a decisão de vir até aqui. Segui Fred e Luna enquanto subimos os degraus antigos com cautela.

O cheiro de mofo e poeira estava cada vez mais impregnado em minhas narinas. Um arrepio frio me percorria por inteiro e eu tinha uma sensação estranha de que não estávamos sós naquela casa...
22

| "𝗜𝗿𝗺ã𝗼𝘀 𝘀ã𝗼 𝗽𝗿𝗮 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲..." |

22. | "𝗜𝗿𝗺ã𝗼𝘀 𝘀ã𝗼 𝗽𝗿𝗮 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲..." |
— 𝐉𝐄𝐑𝐄𝐌𝐘 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Seguimos em silêncio pela única porta do andar de baixo que deu uma sala extensa com várias estátuas de gargolas e alguns anjos.

Bella estava com uma expressão abatida, Max estava distante e imersa em pensamentos e eu podia sentir o nervosismo de Robin. Não posso negar que também sentia um frio na barriga com a sensação de que algo ruim estava à espreita, mas não poderia deixar isso transparecer.

Jeremy: Aí! — Bella olhou em minha direção após tocar suavemente em seu braço. — Tudo bem?

Bella: Arthur e eu brigamos. E... eu não sei se terminamos.

Vi algumas lágrimas se formarem nos olhos de minha irmã que ela rapidamente enxugou. Me partia o coração vê-la desse jeito.

Robin: Eu vou arrebentar a cara dele. — Robin estava sério e vi seu maxilar trincar.

Bella: Robin, deixa pra lá.

Robin: Eu disse que ia quebrar a cara dele se ousasse te magoar.

Bella: Na verdade, fui eu quem magoou ele. No lugar dele faria o quê? O pai e a namorada estavam mentindo pra ele sobre algo que era o direito dele saber.

Robin ficou em silêncio pois sabia que a mais nova estava certa.

Max não dizia uma única palavra então vi esse como o momento perfeito e chamei sua atenção.

Jeremy: Max... sobre o Desafio do Coiote... eu sinto muito. Não devia ter mentido pra você. Pra nemhum de vocês.

Robin: Do que tá falando? — O moreno parou de andar e me olhou com curiosidade.

Jeremy: Alec me entregou uma carta no dia do meu casamento. Uma carta do Delphin. Ele basicamente admitiu que ia ser morto.

Bella: O quê? E por que você não falou nada?

Jeremy: Eu pensei que estava protegendo vocês. Sei que isso teria ajudado na investigação do caso dele e que até poderia provar nossa inocência mas... eu fiquei com medo. — Os três ficaram em silêncio.

Max: Me desculpa também. Eu te acusei de estar favorecendo a Alison em nosso lugar e isso foi errado.

Jeremy: Estamos numa boa então? — Um pequeno sorriso formou-se em seu rosto.

Max: Fomos inimigos por um dia. Irmãos são pra sempre.

Bella: Chega de segredos. Combinado?

Jeremy, Robin e Max: Combinado.

Jeremy: Tem mais uma coisa que precisam saber. A Alison provavelmente vai me matar por isso mas eu não sei por quanto tempo vou conseguir esconder isso. — Olhei para os três com um sorriso amarelo. — Vamos ter gêmeos.

Robin, Bella e Max: O quê? — Sorri diante de suas expressões surpresas.

Robin: Meus parabéns, irmão.

Voltamos a caminhar e me permiti contar os nomes que pensamos.

Por um momento, aquela sensação estranha se dissipou. Mas isso não duraria por muito tempo...
23

| "𝗘𝘀𝘁ã𝗼 𝗲𝗺 𝗽𝗲𝗿𝗶𝗴𝗼..." |

23. | "𝗘𝘀𝘁ã𝗼 𝗲𝗺 𝗽𝗲𝗿𝗶𝗴𝗼..." |
— 𝐅𝐑𝐄𝐃𝐄𝐑𝐈𝐂𝐊 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

| 𝟎𝟎:𝟐𝟎 𝐚𝐦 |

A mansão abandonada detinha uma pintura rústica com tons escuros que variavam do vermelho para o cinza.

O ambiente estava frio e isso talvez fosse pelo fato da casa estar abandonada e com alguns níveis de deterioração.

Escutei ruídos e pensei serem apenas pássaros, mas algo em mim gritava dizendo que tinha algo à espreita.

Fred: Ouviram isso?

Perguntei à Luna, Travis Harry que estavam distraídos enquanto olhavam algumas gavetas e caixas velhas.

Estávamos ao que parece na sala privativa, onde geralmente a matriarca da família costuma passar as tardes. Sei disso porque minha mãe tem sangue inglês e sua família presa pelo chá da tarde todos os dias da semana.

Travis: Não. Não ouvi nada.

Luna: Deve ser apenas um pássaro.

Tentei dar ouvidos à suas explicações mas meu instinto ainda me mantinha atento.

Travis: O que é...

Ouvi um barulho alto como se uma corda tivesse se soltado seguido de um grito masculino e um feminino. Olhei para trás e vi meus irmãos presos em uma armadilha.

Travis estava de cabeça para baixo com os pés amarrados em um corda e Luna e Harry estavam imóveis com facas e lâminas presas ao teto logo acima de suas cabeças.

Deveria me preocupar com meus irmãos mais novos nessa situação, — e eu realmente estava. — mas meu fascínio por armadilhas falou mais alto e senti uma grande euforia se espalhar em cada poro do meu corpo ao ver algo tão bem elaborado.

Seja lá quem fez essa belezinha é realmente muito bom.

Fred: Ouu! Eu não acredito que ele usou uma rede mestra 3000.

Olhei encantado para a rede de tecido grosso e resistente, já meus irmãos me fuzilavam com o olhar.

Luna: Frederick, tira a gente daqui agora!

Olhei ao redor a procura do gancho que sustentava a rede e as lâminas e o encontrei no centro da parede acima da lareira, escondido atrás de um quadro antigo.

Fred: Bingo.

Travis: Por que não corta logo a corda?

O tom de meu irmão estava impaciênte e seu rosto estava vermelho, provavelmente pelo sangue que subia até sua cabeça.

Fred: Ah, Travis... meu querido irmãozinho. Não se desarma uma armadilha ativando ela. Se eu cortar essa corda você provavelmente vai cair de cabeça em algo bem mais mortal. Meu palpite? Tem um alçapão logo abaixo de você. Eu só preciso mexer os ganchos certos.

Retirei o quadro com cuidado e analisei minuciosamente o enigma à minha frente. Tinham três fios interligados, um deles desarmaria a armadilha e os outros dois iriam ativá-la na hora.

O fio do meio tinha uma espessura mais fina e a julgar pela corda fina, quase imperceptível que interligava as duas armadilhas só pude presumir que este seria o sorteado.

Saquei uma faca do bolso e cortei o fio na mesma hora. Escutei o impacto de Travis caindo no chão mas com o alçapão ainda fechado.

A armadilha de Harry e Luna foi acionada e vi meu irmão abraçar a mais nova com a velocidade de um gato e lançar-se para longo, usando seu corpo como escudo para proteger Luna. Por sorte os dois caíram a poucos centímetros das lâminas e não tiveram ferimentos.

Travis: Estão todos bem?

Harry: Eu acho sim. Luna, tudo bem? — A loira apenas concordou com a cabeça enquanto recuperou o fôlego.

De repente, Alec, Greg e Layla aparecem com semblantes preocupados e curiosos em saber o que acaba de acontecer.

Alec: O que aconteceu aqui?

Luna: Só uma armadilha caseira. — Olhei para minha irmã com os olhos semicerrados.

Fred: Só uma... Luna você tem alguma noção de quanto tempo leva para algo assim ficar pronto e ser planejado?

Layla: Gente, isso não importa agora. Temos problemas maiores.

Harry: O que aconteceu?

Gregory: Recebemos uma mensagem.

Layla: Eu chamaria de ameaça... — Layla murmurou.

Travis: Que tipo de mensagem?

Alec: Estava escrito na parede. "Onze entraram, mas nem todos sairão com vida."

Luna: Ai meu Deus...

Harry: Precisamos encontrar os gêmeos agora. De onde quer que estejam, estão em perigo.

A preocupação me corroeu por inteiro e sentia uma fisgada no peito.

Uma sensação horrível me assolava e tudo o que eu era capaz de fazer era correr por aqueles corredores enquanto procuramos por nossos irmãos.
24

| 𝗢 𝗙𝗲𝗶𝗼 |

24. | 𝗢 𝗙𝗲𝗶𝗼 |
— 𝐑𝐎𝐁𝐈𝐍 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Não sei por quanto tempo não passamos de quatro sombras vagando por um corredor interminável de quadros e estátuas.

Finalmente encontramos uma porta no fim do corredor que dava acesso ao escritório do pai da família que um dia morou nesta casa.

Jeremy foi o primeiro a descer a escada estreita, seguido de Bella e Max e eu fiquei por último.

O cheiro de mofo e poeira já era forte por toda a casa mas esse lugar em específico era o pior até agora.

Escutei um ruído e rapidamente culpei o vento, até me recordar de que aqui não tinha uma única janela que dava acesso ao lado de fora da propriedade.

Senti minha espinha coçar e meus pelos eriçarem. O sentimento forte de desconfiança batia em meu peito como um martelo.

Não tive muito tempo para pensar em algo mais já que Max chamou nossa atenção.

Max: Ei! Olhem só isso aqui.

A caçula puxa uma madeira solta no assoalho de madeira, revelando um diário antigo e uma baú de madeira.

Bella: O que é isso?

Max: Acho que pertenceu a família que morava aqui. Darrow. — Seus olhos vagam pela escritura no baú.

Jeremy: Por que esse nome não me é estranho?

Max: Eles eram uma família de cinco pessoas, o pai, a mãe e três filhos, um menina e dois meninos gêmeos. Parece que houve um terremoto e a casa onde moravam afundou na terra, com todos eles dentro. Foi uma tragédia. Não fizeram buscas pois acreditavam que a casa era assombrada.

Um arrepio percorreu minha espinha e novamente senti meu coração pulsar mais rápido.

Rapidamente nos viramos instantaneamente ao escutar a porta do porão ser aberta com força. Suspirei aliviado ao ver que eram apenas meus irmãos.

Fred: Estão aqui, Alec!

Bella: O que foi?

Alec: Precisamos sair daqui agora. Não é seguro. Venham.

Tudo o que fizemos foi pegar o baú de madeira e subir as escadas retornando assim para o andar de cima.

Cruzamos vários corredores e descemos vários lances de escada até finalmente retornarmos para o hall de entrada.

Alec abriu a grande porta e esperou que cada um de nós saísse para se juntar a nós.

Fred abriu o carro e colocamos o baú no porta-malas.

Observei uma sombra que se projetava acima de nossas cabeças e instantaneamente todos nos viramos em um pulo para observar a criatura.

O homem — se é que eu posso chamar assim. — estava casualmente sentado no telhado da mansão e usava roupas exatamente como Samantha havia descrito sobre o homem que atacou sua irmã.

A figura mascarada usava um macacão roxo escuro, com botões dourados na frente e mangas compridas. A gola era branca
e rendada. Os punhos tinham amarrações nos braços e nas pernas, em estilo fitas. Ele também usava luvas brancas. Sua máscara era assustadora com chifres curvos, olhos vermelhos e expressão demoníaca, além de uma peruca em tom roxo que passava um ar ainda mais aterrorizante ao seu visual.

Meus olhos se arregalaram e engoli em seco. Meu coração batia de forma desenfreada e agora eu e meus irmãos estávamos quase abraçados uns aos outros.

Gregory: Credo! Isso é mais feio do que zumbi de cemitério.

Feio: Eu prefiro Feio. O Feio de Rostov. — Um sorriso diabólico se formou em seu rosto.

Em um piscar de olhos, ele pulou do telhado e seus pés logo estavam em contato com o chão.

Inicialmente todos recuamos, já que ele era claramente mais alto, forte e experiente. Além disso não sabíamos absolutamente nada sobre ele ou como se comportava em uma luta.

Foi só quando as garras em suas se transformaram em lâminas de verdade que Alec e Fred partiram para cima na esperança de proteger aos irmãos mais novos.

Meus irmãos eram fortes e rápidos e pelo fato de estarmos em maior número deveria ser uma vantagem, mas não era bem assim... por algum motivo, o simples fato de onze contra um não o afetava. Parecia até que o instigava a lutar melhor.

Saquei meus punhais do bolso e rapidamente me juntei à luta.

Era impressionante a forma como ele desviava de nossos ataques e usava golpes que eu sequer sabia da existência.

Ele apagou Fred e Travis com facilidade. Olhei para os corpos de meus irmãos mais velhos desacordados no chão e soube que eu estava lascado.

Tentamos lutar juntos mas ele nos mantinha separados, movimentando-se com destreza e grande habilidade, como se já tivesse feito isso antes.

Apenas vi uma perna voando em direção ao meu rosto e quando me dei conta já estava rolando do penhasco e podia ouvir minha irmã gritar meu nome.

Bella: Robin!

Meu corpo inteiro ardia e eu o sentia rolar com uma velocidade absurda. Era como se várias agulhas estivessem perfurando minha pele ao mesmo tempo.

Não sei quanto tempo tudo levou mas sei que foi rápido pois logo estava caído na terra fria com lacerações pelo corpo todo.

Tive a visão turva da sombra de minha irmã gêmea e que eu podia jurar estar vendo em dobro mas logo se revelaram ser Max e Bella. Ambas estavam desacordadas não muito distante e eu ainda escutava a luta ocorrendo um pouco acima.

Não tive muito tempo de reação pois na mesma velocidade em que o trovão acaba de soar no céu escuro, a figura macabra se revela em minha frente.
25

| "𝗟𝗲𝘃𝗮𝗻𝘁𝗮..." |

25. | "𝗟𝗲𝘃𝗮𝗻𝘁𝗮..." |
— 𝐉𝐄𝐑𝐄𝐌𝐘 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Senti uma pontada forte na cabeça e meus olhos estavam doloridos. Alguns gemidos de dor escaparam de minha garganta e ao olhar ao meu redor notei que todos os meus irmãos estavam inconscientes mas ainda estavam vivos.

Me levantei com uma certa dificuldade e logo senti um arrepio frio em minha espinha que desceu sinuosamente. Meu coração batia de forma descontrolada e minhas mãos estavam formigando.

Havia sentido essa sensação apenas uma vez... mas eu sabia o que significava.

Olhei para baixo e logo escutei um grito de Robin que lutava com nosso agressor.

Meu coração parou de bater por um momento e meu sangue gelou.

Ele tinha uma espécie de bazuca caseira.

E ele ia matar meu irmão.

Jeremy: Robin...

Murmurei o nome de meu irmão entre os dentes e então peguei a minha katana do chão e corri o mais rápido que consegui em direção à eles.

Usei a espada para cortar um cipó e descer com mais facilidade para chegar a tempo.

Não sei exatamente o que eu teria que fazer. Mas eu sei que estava disposto a qualquer coisa para manter meus irmãos a salvo...

— 𝐌𝐀𝐗𝐈𝐍𝐄 𝐋𝐄𝐁𝐋𝐀𝐍𝐂 —

Uma voz distante ecoava em meus ouvidos.

Senti um peso gigante em minha cabeça e apoiei minhas mãos na terra enquanto tentava dissipar a tontura que me acometia.

A voz se tornou mais alta e ao olhar para frente vi Robin encurralado contra um enorme penhasco enquanto aquele que se auto denominava de "O Feio" apontava uma espécie de bazuca em sua direção.

Robin: Não!

Jeremy: Robin!

Robin: Jeremy! Não!

Robin desvia sua atenção para Jeremy que na velocidade de um raio, o mesmo raio que acaba de cortar o céu, joga meu irmão para o lado e se lança na frente do tiro que acaba de explodir contra ele.

O caos então tomou conta daquela praia. A poeira emanada das rochas que haviam explodido tomou conta do lugar, o cheiro de sangue era forte e se misturava ao cheiro da chuva.

Robin e Bella estavam desacordados e feridos, Max despertava aos poucos e Jeremy jazia no chão, ensanguentado, respirando com dificuldade. O corpo dele tremia, fraco, à beira do fim.

O Feio já estava a uma distância segura de toda a cena, mas poderia matar os outros três com facilidade. No entanto, ver a garota mais nova olhar para ele e para o irmão foi prova suficiente de que deixá-los vivos os faria sofrer ainda mais do que matá-los. Com um sorriso perverso ele deu fim aquela noite e permitiu que os outros irmãos continuassem vivos.

O cheiro forte de sangue tomava conta do ar e era seguido pelos pingos de chuva que agora caíam do céu. Os trovões estavam cada vez mais e um raio cortou o céu o clareando por um momento.

Max correu até Jeremy. Seus olhos estavam arregalados, vermelhos, transbordando lágrimas que escorriam sem controle. Ela se ajoelhou ao lado do irmão, as mãos tremendo ao segurar a dele, fria, suja de sangue.

Max: Jeremy... — Minha voz estava trêmula. Soluçei, a voz quebrada, cortada pelo desespero. — Jeremy. — Ele respirava com dificuldade e seus gemidos dolorosos eram angustiantes. — Não... não... Jerry... levanta... por favor...

Segurei em seus ombros com força e meus dedos tremiam sem parar.

Jeremy ergueu os olhos para ela. Pela primeira vez, não havia provocação, a espontaniedade que o garoto sempre demonstrava ou a raiva que haviam sentido cedo do dia. Só dor. E arrependimento. Sua boca se abriu, trêmula, lutando contra o próprio corpo que falhava.

Jeremy: Max... me desculpe... — Sussurrou, ofegante, quase sem força. Ele tenta sorrir, mas sua boca treme. Seu peito sobe e desce com esforço.

Max apertou mais forte as mãos nos ombros dele. O pavor estampado no rosto. O medo de perder, o medo da solidão, o medo de que aquele momento fosse real.

Max: Não! Não! Fica comigo! Levanta, por favor. — Gritei, completamente quebrada e descontrolada.

Jeremy solta um último suspiro. Seus olhos se desfocam. O corpo relaxa, sem vida. Max percebe o exato momento. Ela congela por um instante, depois desaba.

Seus olhos começaram a perder o brilho e seu coração parou de bater. A garota sacode seu corpo, enquanto lágrimas escorrem descontroladamente por seu rosto. Agarra sua camisa, como se aquilo pudesse trazê-lo de volta, como se a força do amor e do desespero pudesse impedir o inevitável.

A caçula da família Leblanc desabou em uma onda de choro se partir o coração e deixou sua cabeça repousar no peito agora sem batimentos do irmão gêmeo mais velho.

Robin e Bella acordaram e imediatamente correram até os dois e contestaram o mesmo que a mais nova. Seus olhos estavam cheios de dor, não só física, mas emocional.

O choro dos quatro era cortante. Consumido pela separação que enfrentavam.

Robin deitou próximo a cabeça de Jeremy enquanto olhava para seu semblante pálido e sem vida.

Bella deitou a cabeça próxima da irmã e seu choro se fundiu ao da gêmea. Ela sacudiu o irmão várias vezes tentando negar a verdade mas era impossível. Ele realmente havia morrido.

Morreu por aqueles que ele amava... morreu para que seu irmão pudesse viver. E seu sacrifício jamais seria esquecido.

Os corações dos outros três gêmeos pararam de bater simultaneamente e suas almas agora estavam completamente dilaceradas.

O mundo a sua volta havia parado.

A chuva forte molhava seus corpos trêmulas e o frio os abraçava de forma calorosa.

A cena que outros irmãos presenciam quando acordam e procuram pelos mais novos é a visão daqueles que um dia foram um quarteto, agora apenas três, pequenos, no meio do caos, perdidos entre os destroços, o luto e a dor.

Jeremy Leblanc havia morrido e levado consigo uma parte daqueles que vieram ao mundo com ele.

Todos eles sofreriam.

Mas a vingança era iminente.
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